Agência FAPESP - A Floresta Amazônica está associada a altos índices de desmatamento há pelo menos 30 anos. Mas essa relação é apenas parte da verdade captada até hoje pelos cientistas. Como tem sido mostrado pelos projetos atrelados ao LBA (sigla em inglês para Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), a região é muito mais heterogênea e complexa do que se imaginava.
Um exemplo foi descrito na 3ª Conferência Científica do LBA, que termina nesta quinta-feira (29/7) em Brasília. Trata-se do crescimento em certas regiões do bioma amazônico. O fenômeno, que poderia ser encarado como boa notícia, não traz motivos para comemorar a manutenção do ecossistema.
"Em várias regiões da Amazônia, no Brasil e nos países vizinhos, conseguimos identificar áreas com uma dinâmica acelerada. Isso ocorre principalmente com algumas espécies", disse Yadvinder Malhi, pesquisador da Universidade de Oxford, na Inglaterra, à Agência FAPESP. Na conferência, o cientista apresentou diversas nuances que existem na região em relação à produção de biomassa e de madeira.
Segundo Malhi, não se trata necessariamente de um crescimento positivo. "É um distúrbio, sem dúvida. Ainda precisamos entender melhor muitas coisas sobre a ecologia da floresta, mas esse processo detectado é uma adaptação dessas espécies às mudanças das condições físico-químicas da floresta", explicou.
"Existem duas possíveis explicações para o crescimento verificado em algumas regiões, que não são fatos localizados", disse. Para o cientista, a dinâmica acelerada está relacionada com o aumento de carbono na atmosfera e com a elevação da temperatura global, que também está sendo observada na Amazônia. "Não deixa de ser uma causa antrópica."
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