Morre o matemático Maurício Peixoto, fundador do Impa | AGÊNCIA FAPESP

Morre o matemático Maurício Peixoto, fundador do Impa Pesquisador foi presidente do CNPq, da ABC e da Sociedade Brasileira de Matemática. Entre seus trabalhos está o desenvolvimento do Teorema de Peixoto, relacionado a Sistemas Dinâmicos (foto: Impa)

Morre o matemático Maurício Peixoto, fundador do Impa

30 de abril de 2019

Agência FAPESP – O matemático Maurício Matos Peixoto, um dos fundadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), morreu neste domingo (28/04), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Pesquisador de renome internacional, Peixoto foi presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Com mais de 40 trabalhos publicados, seu talento foi reconhecido ao longo da vida. Em 1969, Peixoto recebeu o Prêmio Moinho Santista, então considerado um dos mais tradicionais estímulos à produção intelectual brasileira. Em 1987, ganhou o Prêmio de Matemática da Academia Mundial de Ciências (TWAS). Recebeu ainda a Grã-Cruz e a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, entre outras homenagens.

“A vida e trajetória de Maurício se confundem com a história da matemática brasileira, que ele ajudou a criar e inspirou muito. Fico feliz que ele tenha podido testemunhar a promoção do Brasil ao grupo de elite da matemática mundial e o Congresso Internacional de Matemáticos no Brasil”, disse Marcelo Viana, diretor-geral do Impa.

Nascido em 15 de abril de 1921, o interesse de Peixoto por matemática surgiu ainda na infância. Como a carreira de matemático não existia, foi para a Escola de Engenharia da Universidade do Brasil. Em 1943, recebeu o diploma de engenheiro civil, profissão que nunca chegou a exercer: gostava mesmo era de estudar e ensinar Matemática. Na mesma escola, foi aprovado no concurso de Livre-Docência de Mecânica Racional, em 1947, e no da Cátedra da mesma disciplina, em 1952.

Foi também em 1952 que, ao lado de Lélio Gama e de Leopoldo Nachbin, Peixoto fundou o Impa. O objetivo era estimular a pesquisa científica em Matemática, formar pesquisadores, difundir e aprimorar a cultura matemática no Brasil. Em 1964, embarcou rumo aos Estados Unidos para integrar o corpo docente da Brown University, onde ficaria até 1970. De volta ao Brasil, deu aulas no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), de 1973 a 1978.

No Impa, desenvolveu estudos importantes. O Teorema de Peixoto, que caracteriza os campos de vetores estruturalmente estáveis em variedades compactas de dimensão, foi um marco matemático no Brasil e no mundo, relacionado a Sistemas Dinâmicos.

Seu talento como professor se refletiu no desempenho dos alunos. Em 1962, orientou os estudantes estrangeiros Ivan Kupka e Jorge Sotomayor, que fizeram destacados trabalhos de Sistemas Dinâmicos, com repercussão internacional imediata. As duas teses foram importantes para o estabelecimento do Impa como uma instituição de pesquisa de nível internacional. Peixoto trabalhou ainda com o matemático norte-americano Stephen Smale, ganhador da Medalha Fields em 1966, que visitou o Impa em diversas ocasiões.

Maurício casou-se três vezes (com Marília, Maria Lucia Alvarenga Peixoto e Alciléa Augusto) e teve quatro filhos: Martha, Ricardo, Marcos e Elisa.
 

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