Jo Handelsman, da Universidade de Wisconsin-Madison, alerta em artigo na Science sobre o preconceito contra as cientistas, nos Estados Unidos (foto:Jeff Miller)
Artigo na Science apresenta os quatro pilares culturais que sustentam o preconceito contra a mulher cientista. Hostilidade no cotidiano profissional é um desafio que precisa ser enfrentado, segundo os autores
Artigo na Science apresenta os quatro pilares culturais que sustentam o preconceito contra a mulher cientista. Hostilidade no cotidiano profissional é um desafio que precisa ser enfrentado, segundo os autores
Jo Handelsman, da Universidade de Wisconsin-Madison, alerta em artigo na Science sobre o preconceito contra as cientistas, nos Estados Unidos (foto:Jeff Miller)
Em artigo publicado na revista Science desta sexta-feira (19/8), Jo Handelsman, da Universidade de Wisconsin-Madison, e colaboradores apresentam o que chamam de quatro pilares culturais que sustentam o preconceito contra a mulher cientista nos Estados Unidos. Enquetes feitas em instituições conhecidas como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e as universidades de Michigan e de Wisconsin revelaram que a percepção do problema entre os homens é muito menor do que o relato feito pelas mulheres.
Segundo o estudo, o primeiro entrave da lista é o crescimento individual ao longo da carreira acadêmica. Em áreas como engenharia e física, as mulheres declararam que são menos encorajadas que os homens a atingir patamares mais elevados. Por conta disso, a quantidade de doutoras é bastante reduzida. Mesmo nas áreas das ciências biológicas, onde a quantidade de mulheres na graduação é muito maior, essa proporção elevada não se sustenta entre os professores titulares de um departamento, segundo o artigo.
Hostilidade no cotidiano profissional, fato percebido muitas vezes na forma de um preconceito velado, é outro desafio que precisa ser enfrentado, segundo os autores do estudo. Esse problema ganha mais peso principalmente a partir do momento em que não é percebido pelos homens, inclusive dos mesmos departamentos.
Essa forma de pensamento não explícita tem um reflexo direto na definição de novas contratações ou de eventuais promoções dentro do mesmo departamento. Como esse preconceito foi percebido desde os estudantes do ensino superior, os pesquisadores acreditam que o sistema continuará a funcionar a partir dessa lógica pelos próximos anos.
Além da carreira, do clima acadêmico e do preconceito velado, um quarto problema cultural foi detectado. As pesquisadoras que trabalham nos Estados Unidos sentem falta de respaldo para poderem se dedicar aos filhos. Elas reclamam desde uma flexibilidade maior em horários até a falta de espaços para quem esteja amamentando.
Para os autores do texto, é preciso que o comportamento detectado pelo estudo seja alterado de forma coletiva, em nível institucional. Mesmo assim, dizem, isso só ocorrerá se a mudança de mentalidade surgir individualmente entre os responsáveis pelas universidades e por seus departamentos.
"Apenas uma grande campanha poderá fazer com que o Ato de Oportunidades Iguais na Ciência e na Tecnologia seja realmente implantado", escreveram. Nos Estados Unidos, essa lei foi aprovada no Congresso há 25 anos.
O artigo More women in science, de Jo Handelsman e outros, pode ser lido no site da Science, em www.sciencemag.org.
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