Yongsang Cho, da Associação de Tecnologia Industrial da Coréia do Sul, explica como as políticas governamentais de incentivo à pesquisa tecnológica têm sido essenciais para o aumento de competitividade das empresas no país (foto: T. Romero)

Modelo sul-coreano de inovação
08 de junho de 2006

Yongsang Cho, da Associação de Tecnologia Industrial da Coréia do Sul, explica como as políticas governamentais de incentivo à pesquisa tecnológica têm sido essenciais para o aumento de competitividade das empresas no país

Modelo sul-coreano de inovação

Yongsang Cho, da Associação de Tecnologia Industrial da Coréia do Sul, explica como as políticas governamentais de incentivo à pesquisa tecnológica têm sido essenciais para o aumento de competitividade das empresas no país

08 de junho de 2006

Yongsang Cho, da Associação de Tecnologia Industrial da Coréia do Sul, explica como as políticas governamentais de incentivo à pesquisa tecnológica têm sido essenciais para o aumento de competitividade das empresas no país (foto: T. Romero)

 

Por Thiago Romero, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP - Os números são de dar inveja a qualquer participante do cenário brasileiro de inovação tecnológica. Em 1981, apenas 53 centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) estavam instalados dentro das empresas sul-coreanas. Hoje, o total passou dos 12 mil. Na Coréia do Sul, o setor privado emprega aproximadamente 64% dos pesquisadores do país. No Brasil são menos de 10%.

Esse salto alcançado pelo país asiático, com pouco mais de 50 milhões de habitantes, ocorreu por alguns motivos especiais, segundo Yongsang Cho, diretor da Associação de Tecnologia Industrial da Coréia do Sul (Koita), que participou da 6ª Conferência da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), encerrada nesta quarta-feira (7/6), no Rio de Janeiro.

O investimento anual tanto do setor privado como do público em P&D em 2004 foi de 2,6% do PIB na Coréia do Sul, contra apenas 0,93% no Brasil. Segundo dados do Banco Mundial, o PIB na Coréia do Sul naquele ano foi de US$ 680 bilhões de dólares e o do Brasil, US$ 604 bilhões.

Para Cho, o governo sul-coreano também teve um papel central no processo de mudanças ao oferecer incentivos fiscais significativos para as empresas e ao investir ele próprio em inovação. "Isso permitiu o aumento acentuado da oferta de emprego e renda, principalmente entre as empresas de pequeno e médio porte, que hoje são responsáveis por abrigar mais de 90% dos laboratórios de P&D no país", afirmou.

Segundo o dirigente, o programa de P&D da Coréia do Sul prevê financiamentos não-reembolsáveis do governo para a indústria, isenção de impostos e crédito para direitos alfandegários.

"As leis sul-coreanas de tributação determinam que de 3% a 5% das vendas de produtos e serviços devem ser destinados ao desenvolvimento de recursos humanos qualificados. Ao lado disso, as deduções tributárias podem chegar a 15% dos custos das empresas com P&D, além de permitir uma isenção de no mínimo 7% para investimentos em novos centros de pesquisa", explicou Cho.

O governo sul-coreano criou ainda um sistema eficiente de certificação para identificar a legitimidade dos centros de P&D e fiscalizar a qualidade das pesquisas desenvolvidas. Entre outras exigências, os centros são obrigados a contratar pelo menos cinco pesquisadores formados em áreas científicas e tecnológicas de interesse para o país. Esse esforço impulsionou diversos setores, entre eles a construção naval, hoje a primeira do mundo, com participação de mercado de aproximadamente 43%.

Segundo Cho, o governo sul-coreano tem grande interesse em promover acordos de cooperação com o Brasil na área de incentivo às empresas inovadoras. "Como dirigente da Koita, que é a organização responsável pelo credenciamento dos centros de P&D na Coréia, posso dizer que esse interesse do governo poderia ter início com o intercâmbio de conhecimento com as empresas associadas à Anpei", afirmou. "As duas instituições precisam assumir as janelas de oportunidades que estão se abrindo, principalmente em relação ao comércio de novas tecnologias."


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