Em partes da América Latina, como na Costa Rica ou na Colômbia, a genética revela a realidade da mestiçagem da população, aponta Bernal Brenes (foto: E.Geraque)

Mitos derrubados

Em partes da América Latina, como na Costa Rica ou na Colômbia, a genética revela a realidade da mestiçagem da população, aponta pesquisador no Congresso Brasileiro de Genética

05 de setembro de 2006
Mitos derrubados

Em partes da América Latina, como na Costa Rica ou na Colômbia, a genética revela a realidade da mestiçagem da população, aponta pesquisador no Congresso Brasileiro de Genética

05 de setembro de 2006

Em partes da América Latina, como na Costa Rica ou na Colômbia, a genética revela a realidade da mestiçagem da população, aponta Bernal Brenes (foto: E.Geraque)

 

Por Eduardo Geraque, de Foz do Iguaçu

Agência FAPESP - Se no Brasil os negros estão se autodeclarando negros com mais freqüência, em alguns lugares da América Latina o chamado mito cultural da população branca ainda persiste. O problema é que, com as ferramentas genéticas modernas, as mestiçagens são rapidamente reveladas.

"Em parte da Costa Rica existe a percepção na população de que a linhagem européia é a mais predominante", disse Bernal Brenes, do Departamento de Biologia da Universidade de Costa Rica, em San José, à Agência FAPESP. O pesquisador foi um dos palestrantes desta segunda-feira (4/9), primeiro dia de atividades do 52º Congresso Brasileiro de Genética.

Em pesquisas sobre genética histórica, Brenes pôde constatar o equívoco presente no senso comum. "Na Costa Rica, pessoas vindas da África e indígenas tentavam rapidamente casar com européias. Além disso, nos documentos históricos percebe-se a falta de menção à mãe, principalmente quando indígena", disse.

Segundo o pesquisador, em média as linhagens presentes na Costa Rica, em relação à origem, são 84% ameríndia, 10% européia e 6% africana. "Os dados mostram que o mito cultural está errado", disse.

Além de revelar o elevado aporte de linhagens indígenas na população costa-riquenha – o que também ocorre em muitos outros lugares da América Latina –, os estudos mostram outras semelhanças pouco percebidas em países como, por exemplo, o Chile.

"As populações da Costa Rica e do Chile, do ponto de vista genético, são muito semelhantes. A aproximação entre as duas é maior do que a da Costa Rica com a Nicarágua, países que estão bem mais próximos geograficamente", disse Brenes.

De forma simplificada, essa história genética, que poderá ainda revelar muito sobre a ocupação latino-americana, mostra padrões de chegada dos europeus muito parecidos.

Segundo Brenes, o que ocorreu na Costa Rica e no Chile, em um período de 10 a 15 gerações, foi uma mistura étnica predominantemente feita entre homens europeus e mulheres indígenas. "É similar ao que se verificou em pontos do Nordeste brasileiro", comparou.

No Brasil, a presença negra foi também bastante marcante, o que deu à população do país uma mestiçagem, cada vez mais revelada pelos próprios atores deste processo, muito maior. No caso brasileiro, 33% das linhagens são indígenas, 39% européias e 28% africanas.


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