Nova biblioteca será construída no campus da USP para abrigar parte do mais valioso acervo bibliográfico privado do país (foto: T. Romero)

Mindlin doa 30 mil volumes à USP
18 de maio de 2006

Nova biblioteca será construída no campus da Universidade de São Paulo para abrigar parte do mais valioso acervo bibliográfico privado do país. Obras deverão estar concluídas no fim de 2009

Mindlin doa 30 mil volumes à USP

Nova biblioteca será construída no campus da Universidade de São Paulo para abrigar parte do mais valioso acervo bibliográfico privado do país. Obras deverão estar concluídas no fim de 2009

18 de maio de 2006

Nova biblioteca será construída no campus da USP para abrigar parte do mais valioso acervo bibliográfico privado do país (foto: T. Romero)

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - A paixão começou em 1927, quando o então garoto de 13 anos comprou o primeiro livro. Hoje, 79 anos depois, José Ephim Mindlin ultrapassou os 40 mil títulos em seu acervo pessoal. Tamanha adoração à leitura fez com que o advogado e empresário se tornasse mais conhecido como bibliófilo.

"Em 1927, depois de ler História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, comecei a comprar livros sobre assuntos brasileiros, sem a mínima pretensão de formar uma biblioteca. Tudo começou como uma pequena planta que hoje, depois de algumas décadas, virou uma floresta", disse Mindlin, nesta quarta-feira (17/5), em cerimônia na Universidade de São Paulo (USP).

Para evitar que a grandiosa coleção se perdesse com o tempo, Mindlin decidiu doar à USP parte de sua Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, considerado o mais valioso acervo bibliográfico de caráter privado no Brasil – Guita é a esposa do bibliófilo, também presente à cerimônia. O termo de doação foi assinado no auditório do Conselho Universitário, na capital paulista.

"Confio a guarda dessa floresta à USP. Além de todos os trabalhos que envolvem a reitoria dessa universidade, estou lhe trazendo mais um: o de guarda florestal", brincou Mindlin ao dirigir a palavra para a reitora Suely Vilela.

A coleção privada de Mindlin, com obras do século 16 ao 20, reúne boa parte da história artística, literária, científica e cultural do país. Entre os títulos que serão doados estão raridades como um exemplar da primeira edição de O Guarany (então com Y), de José de Alencar, além das primeiras descrições do Brasil feitas, no século 16, por viajantes estrangeiros como Hans Staden, André Thevet e Jean de Léry.

"Com esse memorável gesto, o casal Guita e Mindlin expressa claramente o desejo de que seu valioso patrimônio fortaleça a democratização da informação na USP. Quando estiver pronta, a biblioteca será uma fonte inesgotável de pesquisas acadêmicas sobre a cultura brasileira", disse a reitora da universidade.

Todo o acervo do empresário brasileiro será colocado em um edifício novo, que será construído em um terreno de 6 mil metros quadrados localizado ao lado do prédio da atual reitoria. A biblioteca do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP também será transferida para lá. As obras deverão estar concluídas no fim de 2009.

"Essa doação faz parte de um plano familiar antigo. Tenho certeza de que a USP é o melhor destino que poderia ser dado à coleção Brasiliana", disse Mindlin à Agência FAPESP. "Serão doados entre 15 e 18 mil títulos, entre livros e documentos sobre assuntos brasileiros. O restante permanecerá com a família", disse.

O bibliófilo lembra que um título pode ser representado tanto por um simples folheto como por uma revista, como a do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que tem quase 400 volumes. Mindlin calcula que, no total, a doação chegará aos 30 mil volumes.

"A gente passa e os livros ficam. Então, é preciso que esse conjunto seja mantido e aumentado com o tempo. Sentirei saudades dos livros, mas o que me conforta é que ainda estarei perto deles", disse.

Mindlin é membro do Conselho Consultivo da USP e presidente do conselho editorial da Edusp, a editora da universidade. No final de 2005, ele recebeu da instituição paulista o título de doutor honoris causa.

Formado pela Faculdade de Direito da USP, Mindlin foi presidente da Metal Leve, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e secretário estadual da Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo.


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