Pesquisa sobre a atuação política de índios amazônicos mostra que a prioridade das lideranças indígenas é a política local (foto: Heinz Foerthmann/Divulgação0
Pesquisa da UnB sobre a atuação política de índios amazônicos mostra que a prioridade das lideranças indígenas é a política local. Eles pretendem ocupar os cargos de prefeito ou vereador em vez de candidatar-se ao Congresso Nacional
Pesquisa da UnB sobre a atuação política de índios amazônicos mostra que a prioridade das lideranças indígenas é a política local. Eles pretendem ocupar os cargos de prefeito ou vereador em vez de candidatar-se ao Congresso Nacional
Pesquisa sobre a atuação política de índios amazônicos mostra que a prioridade das lideranças indígenas é a política local (foto: Heinz Foerthmann/Divulgação0
Agência FAPESP - As lideranças indígenas da Amazônia, por falta de articulação no cenário nacional, acabam interessando-se mais pela política local. Em defesa dos interesses coletivos de suas comunidades, elas optam por ocupar apenas cargos de prefeito ou de vereador.
"Os movimentos indígenas brasileiros têm força suficiente para montar uma ampla agenda de reivindicações, mas ainda encontram dificuldades para implementá-las no âmbito nacional. O caminho mais viável acaba sendo a política local", disse Gabriel Alvarez, professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), à Agência FAPESP.
O pesquisador está desenvolvendo uma pesquisa sobre a relação dos índios com a política com base em dados coletados em diversas expedições em todo o país. Uma das principais fontes de informação do estudo foi a Expedição Humboldt, organizada pela UnB em 2000, quando Alvarez integrou o grupo de cientistas que percorreu aproximadamente 10 mil quilômetros na Amazônia.
Entre os municípios que já contam com representantes de origem indígena na política local estão Oiapoque (AP), Atalaia do Norte (AM), Tabatinga (AM) e Benjamin Constant (AM). Para Alvarez, atualmente dois municípios do Amazonas estão mais próximos de eleger um candidato índio como prefeito nas próximas eleições: Barreirinha e São Gabriel da Cachoeira, onde a população indígena é maioria.
"O Estado do Amazonas nunca teve um prefeito indígena. Historicamente, o Brasil teve apenas três prefeitos nessas condições: no Amapá, em Roraima e em Minas Gerais. Quase uma centena de índios em todo o país já ocupou o cargo de vereador", conta o antropólogo.
No cenário nacional, a meta das lideranças indígenas é fortalecer suas tribos por meio de parcerias com organizações não-governamentais e movimentos sociais. "Um dos interesses é a criação de uma secretaria federal voltada para os assuntos indígenas. A idéia é que a Funai (Fundação Nacional do Índio) seja um dos braços executivos dessa secretaria", disse Alvarez.
O estudo mostra ainda que, diferentemente de outros países latino-americanos, como na Bolívia, que possui partidos e, agora, até um presidente indígena, no Brasil não existe nenhum partido político indígena. A participação dos índios aqui ocorre pela negociação com os partidos majoritários.
"Os índios representam menos de 1% da população brasileira (na Bolívia eles são 60%), por isso eles nem pensam em criar um partido étnico. Mas muitos deles crescem em contato com os brancos, o que acaba gerando um número crescente de lideranças capacitadas para serem interlocutoras entre os dois mundos". Segundo o antropólogo, os indígenas são atores políticos que estabelecem diálogos paritários entre todos os atores sociais, sem necessidade de tutela.
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