Derek Lovley e Kazem Kashefi, ambos da Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, identificaram uma arqueobactéria (a forma mais primitiva de vida que se conhece) a 121 graus Celsius. O nome científico do micróbio ainda não foi definido. O resultado da pesquisa foi publicado na edição de 15/8 da revista Science.
A amostra que continha as arqueobactérias foi coletada a 2,4 quilômetros de profundidade, por intermédio de um submarino operado por controle remoto. O equipamento foi enviado às profundezas do oceano em um local a 330 quilômetros da costa.
"O limite máximo de temperatura para a vida é uma chave importante para se delimitar quando e onde ela teria surgido na Terra", escreveram os cientistas. Além disso, descobrir vida em condições inóspitas tem uma importância muito grande para as pesquisas que tentam identificar vida extraterrestre.
Não é apenas o calor de 121 graus Celsius que torna a vida limitada no fundo do mar. Fatores abióticos como pressão, salinidade e também acidez tornam o ambiente bastante hostil. As arqueobactérias estão associadas às fossas hidrotermais. Nesses ambientes, o calor proveniente do magma da Terra é despejado no assoalho oceânico. A pressão é tão grande que a água, extremamente fria nessas regiões, chega a ser esquentada, em alguns casos, até os 400 graus Celsius.
O sistema de respiração desta arqueobactéria identificada pelos pesquisadores norte-americanos também é desconhecido. Segundo Lovley, esses microrganismos usam ferro para produzir energia. Algumas arqueobactérias estudadas até agora, e que também são encontradas em ambientes muito semelhantes, costumam usar enxofre em seus metabolismos respiratórios.
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