Cones de 250 milhões de anos são revelados no interior de São Paulo
(foto:divulgação)
Pesquisadores descobrem formações geológicas inéditas em Anhembi, no interior de São Paulo. Em artigo publicado na Nature são descritas as estruturas com 250 milhões de anos e bens preservadas
Pesquisadores descobrem formações geológicas inéditas em Anhembi, no interior de São Paulo. Em artigo publicado na Nature são descritas as estruturas com 250 milhões de anos e bens preservadas
Cones de 250 milhões de anos são revelados no interior de São Paulo
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Agência FAPESP - A revelação geológica muito provavelmente faria o personagem Zé Colméia se sentir em casa. Um grupo de pesquisadores brasileiros descobriu a 9 quilômetros da cidade de Anhembi, no interior de São Paulo, um mar de cones com cerca de 250 milhões de anos.
As estruturas, nomeadas de "vent mound" em inglês, podem ser consideradas parentes dos gêiseres, os cones com duto interno por onde fluidos do interior da terra chegam até a atmosfera. Gêiseres são encontrados em abundância no Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos, lar do personagem dos desenhos animados, ou também no alto dos Andes, próximo ao deserto do Atacama, no Chile.
"As estruturas que encontramos não são geiseres, pois esses existem apenas em regiões emersas", disse Jorge Yamamoto, pesquisador do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e primeiro autor do artigo com os resultados da pesquisa publicado na edição desta quinta-feira (10) da revista Nature.
"Os cones em Anhembi são diferentes do que se conhece até hoje por três motivos principais", explica. O primeiro é a idade das estruturas que, grosso modo, poderiam ser confundidas com uma espécie de cupinzeiro, em um pasto qualquer. Elas são do Permiano. "Além disso, estão muito preservadas e foram descobertas em grande quantidade e em uma pequena área", disse o pesquisador, citando os outros dois motivos que atestam a importância da descoberta.
Os cones brasileiros estavam em uma planície de maré. Foram mapeadas, com auxílio de um GPS, 4,5 mil estruturas em uma área de apenas 1,5 quilômetro quadrado. A altura máxima das pilhas é de 2 metros de altura e os diâmetros variam de 20 centímetros a 4 metros. "Tudo indica que a base deles ficava submersa e a boca do duto estava fora da linha da água", conta Yamamoto.
Segundo o pesquisador, os cones agora revelados, apesar de terem atividades hidrotermais, fundamentais para a reciclagem dos minerais, também não podem ser considerados fossas hidrotermais. Essas estruturas, que expelem as famosas fumarolas, só existem em zonas muito profundas, no assoalho oceânico. A região dos cones revelada agora – as pesquisas de campo contaram com apoio financeiro da FAPESP – compreendia uma área do chamado Mar Interno, que existia no Permiano associado à Bacia do Paraná. Em termos geográficos ela estava localizada no sudoeste do continente Gonduana.
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