Sala de controle do Inpe, em São José dos Campos (SP)
O país pode ainda não ter conseguido sucesso com a construção de veículos lançadores, mas fez satélites que estão em órbita há mais de uma década, como o SCD-1 (foto), segundo conta o coordenador de projetos da AEB, Wilson Yamaguti. A presença no setor deverá aumentar muito, com o lançamento de 11 novos satélites
O país pode ainda não ter conseguido sucesso com a construção de veículos lançadores, mas fez satélites que estão em órbita há mais de uma década, como o SCD-1 (foto), segundo conta o coordenador de projetos da AEB, Wilson Yamaguti. A presença no setor deverá aumentar muito, com o lançamento de 11 novos satélites
Sala de controle do Inpe, em São José dos Campos (SP)
Agência FAPESP - Como os satélites construídos no Brasil foram colocados em órbita?
Yamaguti - O SCD-1 e o SCD-2 foram lançados pelo foguete Pegasus, da (norte-americana) Orbital Sciences Corporation. Já o CBERS-1 foi lançado pelo Longa Marcha 4B, da China. O novo CBERS-2 também será lançado pelo foguete chinês.
Agência FAPESP - Quais serão as funções dos próximos satélites brasileiros a entrarem em órbita?
Yamaguti - O planejamento realizado há meses pelo Inpe e pela AEB, e que serviu de base para as propostas do plano plurianual 2004-2007, prevê vários projetos, como dois novos satélites de coletas de dados, o SCD-3, previsto para 2006, e o SCD-4, para 2008. O plano prevê também a construção de outros quatro de sensoriamento remoto, dois dos quais estariam prontos até 2007 e os restantes para além de 2008. Finalmente, existe ainda a família dos satélites científicos e tecnológicos, com cinco projetos. O último ficaria pronto em 2011. É claro que as metas deverão ser adequadas ao orçamentos finais.
Agência FAPESP - Em relação aos Veículos Lançadores de Satélites, o sr. acredita que eles deveriam continuar a ser construídos apenas pelo Brasil ou as parcerias internacionais são bem-vindas?
Yamaguti - Vou dar uma opinião absolutamente pessoal: devemos investir em tecnologia espacial, incluindo os veículos de lançamento de satélites. Em paralelo, as parcerias seriam muito interessantes para, por exemplo, absorção de tecnologias, capacitação de recursos humanos e redução dos prazos de desenvolvimento.
Agência FAPESP- Existe uma linha específica na qual o país esteja se aperfeiçoando em termos de tecnologia de satélites?
Yamaguti - O Brasil vem desenvolvendo satélites de pequeno porte, estabilizados por rotação. A tecnologia utilizada tem se mostrado eficiente, pois tanto o SCD-1 quanto o SCD-2 ultrapassaram em muito a vida útil estimada inicialmente. O Inpe também tem construído satélites científicos de pequeno porte, como os satélites Saci-1 e o Saci-2 que, no entanto, não tiveram êxito em operação. O primeiro apresentou problemas nos procedimentos de inicialização, logo após a separação do veículo lançador, e o segundo teve falha em seu lançamento. Existe ainda o FBM, iniciado em cooperação com a França e que hoje encontra-se em processo de revisão. Também houve o desenvolvimento de satélites de sensoriamento remoto no Inpe, em conjunto com a China. Além do CBERS-1, existe o CBERS-2, que está sendo preparado para lançamento em outubro. A continuação do programa CBERS, com a construção e operação de mais dois satélites, foi firmada entre os governos do Brasil e da China, em novembro de 2002.
O Brasil não domina completamente a tecnologia para satélites de sensoriamento remoto. É preciso desenvolver itens na plataforma de serviços, como, por exemplo, o subsistema de controle de órbita e altitude. Isso envolve o desenvolvimento de computadores, sensores e softwares de controle, além de outros equipamentos. Para o módulo de carga útil do satélite, onde estão instaladas as câmeras, o Inpe projetou e desenvolveu a Câmera de Amplo Campo de Visada. Mas para os próximos satélites, que serão construídos em conjunto com a China, o CBERS-3 e o CBERS-4, existe um grande desafio tecnológico não apenas para o instituto como para as empresas. O Brasil deverá desenvolver e fornecer a Câmera Imageadora de Alta Resolução, que faz registros importantes do ambiente que o satélite estará investigando. Um terceiro ponto importante, em termos de necessidade de desenvolvimento de metodologias para o processamento das imagens captadas no espaço, é o da infra-estrutura de solo. As metodologias que vão gerar as informações para o usuário final, como a previsão da próxima safra de soja ou o tamanho do desmatamento, ainda precisam avançar.
Agência FAPESP - Quais são as principais aplicações dos satélites, hoje em dia, que a população nem costuma perceber?
Yamaguti - Existem os satélites de telecomunicações para voz, dados e imagens, que englobam os equipamentos usados em telefonia, transmissões de televisão ou outras formas de serviço – como as que viabilizam, por exemplo, a comunicação com locais remotos, permitindo acesso à internet ou interligando empresas para videoconferência. Na meteorologia, os satélites também têm papel importante. São usados largamente na previsão do tempo, do clima e de fenômenos meteorológicos, como furacões, ciclones ou geadas. Além das atividades relacionadas ao sensoriamento remoto propriamente dito, os satélites são ferramentas essenciais em sistemas de busca e salvamento, por exemplo, quando ocorrem acidentes com navios ou aviões. Na telemedicina, no caso de cirurgias realizadas a distância, também existe o uso do satélite, assim como ocorre nos cursos de educação realizados pela internet, ou no campo científico, para auxiliar cientistas a analisar dados, como no cálculo do tamanho do buraco na camada de ozônio.
Saiba mais:
A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.