Na natureza, as lagostas sadias (à esquerda) evitam conviver com as doentes. Esse comportamento é importante para a evolução da espécie
(foto:Don Behringer)
Artigo publicado na Nature mostra que crustáceos contaminados pelo vírus mortal PaV1 são evitados pelos indivíduos sadios do grupo, que percebem a doença antes do surgimento de sintomas
Artigo publicado na Nature mostra que crustáceos contaminados pelo vírus mortal PaV1 são evitados pelos indivíduos sadios do grupo, que percebem a doença antes do surgimento de sintomas
Na natureza, as lagostas sadias (à esquerda) evitam conviver com as doentes. Esse comportamento é importante para a evolução da espécie
(foto:Don Behringer)
Estudo publicado nesta quinta-feira (25/5) na revista Nature mostra que as lagostas caribenhas (Panulirus argus) sabem quando um dos membros do grupo está doente muito antes de surgir qualquer sintoma.
Essas espécies costumam viver no fundo do mar, em tocas e em grupos. Os pesquisadores, por meio de experimentos em laboratórios, conseguiram descobrir que, quando um crustáceo está contaminado com o letal vírus PaV1, ele é evitado pelos indivíduos sadios.
Nos experimentos montados pelos cientistas, foi dada a chance para as lagostas sadias e doentes escolherem a toca que queriam. Enquanto as primeiras ficaram agrupadas em uma mesma cavidade, as segundas foram sempre encontradas isoladas.
Em outra fase da experiência, a hipótese científica levantada pelos cientistas ganhou ainda mais peso. Foi dada a opção para as lagostas sadias escolherem entre uma toca vazia, outra com um indivíduo doente ou ainda uma terceira cavidade em que havia um crustáceo sadio. Em todos os casos os animais sem o vírus se agruparam na toca onde os demais também eram saudáveis.
Os pesquisadores acreditam que a percepção está ligada ao sistema olfativo dos animais. Como o vírus PaV1 também possui alta letalidade, essa capacidade de evitar indivíduos doentes tem importância evolutiva muito grande para toda a espécie.
Outros testes mostraram que 60% dos indivíduos jovens, quando colocados em confinamento com lagostas infectadas, morreram em no máximo 80 dias. Como a taxa de mortalidade na natureza, na população estudada na Flórida, é de apenas 7%, os cientistas creditam essa diferença exatamente à capacidade agora identificada.
O artigo Avoidance of disease by social lobsters, de Donald C. Behringer, Mark J. Butler, Jeffrey D. Shields, pode ser lido por assinantes da Nature, em www.nature.com
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