Nova abordagem feita a partir da bioinformática pode ajudar a desvendar padrões proteícos relacionados com determinados tipos de tumor
Cientistas no Rio de Janeiro criam metodologia inédita para reconhecer biomarcadores específicos de câncer no sangue. Os resultados foram obtidos a partir de dados gerados por espectrômetro de massa e tratados por inteligência artificial
Cientistas no Rio de Janeiro criam metodologia inédita para reconhecer biomarcadores específicos de câncer no sangue. Os resultados foram obtidos a partir de dados gerados por espectrômetro de massa e tratados por inteligência artificial
Nova abordagem feita a partir da bioinformática pode ajudar a desvendar padrões proteícos relacionados com determinados tipos de tumor
Agência FAPESP - Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), conseguiram um importante avanço no campo da identificação de padrões moleculares. A novidade pode ser muito útil no diagnóstico e no prognóstico do câncer.
Com o uso da bioinformática, os cientistas desenvolveram um modelo baseado na teoria da aprendizagem estatística. "Essa metodologia, desenvolvida no âmbito dos estudos de reconhecimento de padrões, é relativamente recente. Ela surgiu em 1995", disse Paulo Carvalho, do IOC, um dos pesquisadores envolvidos com o desenvolvimento da nova metodologia, à Agência FAPESP. Orientado por Gilberto Domont (UFRJ) e Wim Degrave (Fiocruz/RJ), o trabalho que descreve a nova técnica foi eleito entre os dez melhores de 2005, pela Fiocruz. A professora Maria da Gloria Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também está envolvida com o estudo.
Antes de chegar aos padrões protéicos que seriam usados pelo novo método, foi preciso obter todos os dados brutos a partir do sangue do paciente. Foi quando entrou o espectrômetro de massa, equipamento usado para auxiliar na identificação de proteínas secretadas por tumores.
Com os dados em mãos, os pesquisadores partiram para a modelagem estatística. "O conjunto foi estudado com a técnica conhecida por ‘deixando um de fora’ (leave-one-out)", explica Carvalho. Esse tratamento estatístico, que ora exclui e ora inclui um dado, conseguiu revelar quais eram as combinações de bioindicadores (padrões protéicos) mais confiáveis. "A idéia é que, com base no principio de minimização de risco estrutural da teoria de aprendizagem estatistica, isso possa ser generalizado para uma população com a diminuição dos riscos estatísticos", disse o cientista do IOC.
Para chegar à construção da metodologia, o grupo usou os dados extraídos do sangue de 30 pacientes sadios e de 30 portadores da doença de Hodgkin, um tipo de linfoma. "Nesse universo, o índice de acerto atingiu os 100%", conta Carvalho.
"Nossa expectativa é que essa metodologia baseada no espectrômetro de massa e na bioestatística possa ser usada para qualquer tipo de câncer. Já estamos com projetos para usar essa técnica, por exemplo, em câncer de pulmão", explica Carvalho. Segundo o bioinformata, a abordagem também eliminou os chamados ruídos e falsos marcadores que costumam aparecer nas espectrometrias. "Conseguimos obter resultados oriundos de espectrometria de massa compatíveis com assinaturas moleculares de proteínas diferencialmente expressas", afirma.
Enquanto aguardam a aprovação para publicação dos resultados do trabalho em um periódico indexado internacional – um resumo da nova abordagem foi publicado na edição de agosto da Molecular and Cellular Proteomics, da Sociedade Norte-americana para Bioquímica e Biologia Molecular –, a técnica desenvolvida pelos pesquisadores do Rio de Janeiro já resultou no pedido de patente, feito pela Fiocruz. O estudo desenvolvido no Rio de Janeiro contou com o financiamento da Fundação Educacional Charles Darwin.
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