Documento que servirá de base para as discussões na Rússia contou com a participação de cientistas brasileiros
Reunião do G8 na Rússia, em julho, terá declaração conjunta feita por academias de ciências do mundo. Brasil contribui com sugestões em doenças emergentes e energia renovável
Reunião do G8 na Rússia, em julho, terá declaração conjunta feita por academias de ciências do mundo. Brasil contribui com sugestões em doenças emergentes e energia renovável
Documento que servirá de base para as discussões na Rússia contou com a participação de cientistas brasileiros
Agência FAPESP - O presidente Vladimir Putin, anfitrião da próxima cúpula do G8 (sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), pediu ajuda à Academia de Ciências Russa. O motivo era ter prontos para a reunião, que será realizada de 15 a 18 de julho em São Petesburgo, documentos feitos por cientistas que abordassem tanto a questão da gripe aviária como da sustentabilidade energética.
Ao lado das academias de ciências dos integrantes do G8 – Estados Unidos, Canadá, Rússia, França, Inglaterra, Japão, Alemanha e Itália –, outros países foram convidados para participar das discussões. O Brasil esteve presente, ao lado de China, Índia e África do Sul, em encontro realizado no início do mês, em Moscou.
"Mais uma vez fomos convidados. Isso mostra que o Brasil, apesar de não estar entre os mais desenvolvidos, está ainda mais distante dos demais países em desenvolvimento", disse Eduardo Moacyr Krieger, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), à Agência FAPESP.
Krieger, também pesquisador do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo, levou várias colaborações brasileiras, inseridas no texto final da Declaração conjunta das Academias de Ciências sobre sustentabilidade e segurança energéticas e gripe aviária e doenças infecciosas. O documento foi entregue ao governo russo.
"No caso da sustentabilidade energética, um dos assuntos escolhidos por Putin, o Brasil tem muito o que mostrar", disse Krieger. Conforme lembra o dirigente da ABC, enquanto por aqui se gasta o equivalente a 1 litro de álcool em energia para produzir 8 litros do mesmo combustível, nos Estados Unidos, país que usa milho no lugar da cana-de-açúcar, o rendimento é muito inferior, de 1 litro para cada 1,6 litro de combustível.
A partir da experiência brasileira, construída nas últimas décadas, o país poderia ajudar o mundo, conforme sugere a declaração conjunta, nas estratégias prioritárias comuns. Entre as sugestões aprovadas pelas academias de ciências reunidas na Rússia estão "a promoção da eficiência energética, incluindo a melhoria da eficiência energética, e da efetividade econômica dos sistemas de energia de forma holística".
Apesar da preocupação mundial com uma eventual pandemia de gripe aviária, as academias de ciências, segundo Krieger, acreditam que esse tipo de problema, além de ser discutido de forma específica, merece estar em contexto mais amplo. "Esse tema deve ser inserido dentro de uma estratégia global de combate às doenças infecciosas e emergentes de forma mais geral", disse.
No texto da declaração fica claro que apenas uma visão mais sistêmica poderá controlar grandes pandemiais mundiais. "Muitos dos fatores que afetam a gripe são também relevantes para um grande número de doenças infecciosas", diz o documento. As academias de ciências lembram os casos da Aids, malária e ebola, que principalmente nos países mais pobres causam elevados prejuízos.
Resta saber quanto do texto da declaração feita a partir de princípios científicos será incorporado pelos líderes do G8 na redação do texto final do encontro. Mas ao menos a base para os debates já está sedimentada.
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