Segundo Roberto Vermulm, da FEA, é evidente que muitas empresas não adotam a inovação em seus processos internos por falta de apoio governamental
(foto: T. Romero)
Para Roberto Vermulm, da FEA/USP, apesar do aumento recente de empresas inovadoras no país, ainda não se verificou crescimento no número de produtos ou de processos de inovação destinados ao mercado interno
Para Roberto Vermulm, da FEA/USP, apesar do aumento recente de empresas inovadoras no país, ainda não se verificou crescimento no número de produtos ou de processos de inovação destinados ao mercado interno
Segundo Roberto Vermulm, da FEA, é evidente que muitas empresas não adotam a inovação em seus processos internos por falta de apoio governamental
(foto: T. Romero)
Agência FAPESP - Apesar de o número de empresas inovadoras no Brasil ter passado de 22.698, em 2000, para 28.036 em 2003, esse aumento ainda não se refletiu na criação de novos produtos ou de novos processos tecnológicos.
É o que mostra o estudo Inovação tecnológica na indústria brasileira, realizado pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) e apresentado na 6ª Conferência Anual da entidade, que termina nesta quarta-feira (7/6), no Rio de Janeiro.
"A taxa de produtos inovadores destinados ao mercado interno caiu tremendamente, de 4,1% para 2,7% [do total de produtos e no período analisado]", disse Roberto Vermulm, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo Vermulm, na Alemanha ou na Itália essa taxa gira em torno dos 22%. "Ser pouco inovadora ainda é uma característica estrutural da indústria brasileira", afirmou. Os processos inovadores destinados ao mercado interno também caíram, de 2,8% em 2000 para 1,2% do total de processos em 2003.
O estudo da Anpei é uma análise de diversos economistas feita sobre os resultados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim do ano passado.
Para Vermulm, é evidente que muitas empresas não adotam a inovação em seus processos internos por falta de apoio governamental. Mesmo entre os empresários inovadores, a questão da falta de incentivos é sempre lembrada.
Outro ponto verificado no estudo é a diminuição do número de empresas voltadas para o mercado interno que realizam atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D): de 7.412, em 2000, para 4.941, três anos depois. O volume de investimentos em P&D no período caiu de R$ 5,8 bilhões para R$ 5,1 bilhões. "Ou seja, as quantias investidas nos processos de inovação também diminuíram", disse Vermulm.
No cenário internacional, de acordo com o estudo, o grande destaque foi a China, em terceiro lugar no ranking dos países que mais investiram em P&D, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. "Isso fez com que a China seja atualmente o destino mais mencionado pelas empresas mundiais para futuras expansões em projetos de P&D", contou Vermulm. Mais de 700 centros estrangeiros de pesquisa e desenvolvimento foram instalados no país asiático desde 1993.
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