Grupo da Unesp desenvolve portal eletrônico sobre os animais aquáticos potencialmente perigosos do Brasil. Mesmo sendo possível evitar boa parte dos acidentes, quando eles ocorrem, é preciso saber quais são as medidas básicas que precisam ser tomadas
Grupo da Unesp desenvolve portal eletrônico sobre os animais aquáticos potencialmente perigosos do Brasil. Mesmo sendo possível evitar boa parte dos acidentes, quando eles ocorrem, é preciso saber quais são as medidas básicas que precisam ser tomadas
Agência FAPESP - O dermatologista Vidal Haddad Jr., professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, acabou de passar alguns dias em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, trabalhando. E bastou poucos dias para que ele percebesse um problema comum, que ocorre bastante nas praias brasileiras, principalmente no alto verão.
Os animais marinhos estão sempre lá, é verdade. E como nessa época do ano o número de pessoas é que aumenta bastante, o encontro entre ambos é inevitável. "Quer ver um acidente bastante comum, que presenciei algumas vezes nesses dias? Pessoas feridas por bagres, que estão mortos na areia na linha da maré", explica Haddad Jr. à Agência FAPESP.
Segundo o médico da Unesp, para que esse problema pudesse ser evitado, bastaria fazer uma campanha de esclarecimento com os pescadores e turistas que freqüentam a praia. "A pessoa não tem culpa de ter pisado no peixe. O que ocorre é que esses animais são jogados na areia pelos pescadores, que no dia anterior fizeram um arrasto no local", explica.
Para alertar sobre todos os potenciais perigos dos bagres, e outros relacionados com diversos animais marinhos, é que o grupo de Botucatu resolveu criar um portal eletrônico na internet para os interessados. "Esse é um dos produtos do Centro de Estudos Sobre Animais Aquáticos Potencialmente Perigosos, que estamos organizando aqui em Botucatu", disse o médico.
A intenção, explica Haddad Jr., não é exercer a medicina pela rede mundial de computadores, prática considerada ilegal pelas leis brasileiras. "Mas existem várias medidas, que mesmo depois do acidente ocorrer, podem ser tomadas em nível de primeiros-socorros. Isso é importante divulgar, porque poderemos ajudar muitas pessoas e inclusive vários órgãos interessados no tema, como a prefeitura das cidades do litoral", explica.
No caso dos bagres, mostra o portal, o importante é colocar o ferimento em água quente (a 50ºC) por 30 a 90 minutos. E depois disso retirar os fragmentos de ferrão ou epitélio glandular, com o auxílio médico, presente na pele. Além do ferimento físico, normalmente também ocorre a liberação de substâncias tóxicas ao homem nesse tipo de acidente.
Além dos bagres soltos na areia, que causam acidentes bastantes vezes bem doloridos, outro problema comum no litoral, pelo menos de São Paulo, são causados pelo encontro do homem com o ouriço-do-mar. "As pessoas vão passear nas pedras e sempre acabam pisando em algum desses invertebrados, naquelas piscinas que se formam com o movimento da maré." Esses casos representam 50% das ocorrências.
Como em Ubatuba, por exemplo, isso ocorre muitas vezes nos mesmos locais, como na praia Grande, seria simples tomar algumas medidas preventivas segundo o médico. "Por que não colocar algumas placas, avisando os turistas dos perigos, como ocorre na Austrália [e no Recife, em Pernambuco] com os tubarões?"
Mais informações podem ser obtidas pelo site www.dangerousaquaticanimals.com.br, pelo email ceapeb@fmb.unesp.br ou pelo telefone do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Unesp: (014) 3883-4922.
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