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Gestão baleeira

Coordenador do projeto Baleia Franca no Brasil critica artigo publicado na Science sobre santuários de proteção às baleias e defende uma forma alternativa de exploração que não envolva nenhum tipo de matança

Gestão baleeira
População de baleia franca, no Brasil, está em crescimento
(imagem:Projeto Baleia Franca)
Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Os modelos matemáticos feitos por pesquisadores norte-americanos sobre os efeitos da moratória da caça comercial de baleias e da criação de áreas de proteção ambiental a esses animais, em pequena ou larga escala, não condizem com o que é verificado pela observação.

A tese é defendida por José Truda Palazzo Jr., coordenador do projeto de pesquisa e conservação da Baleia Franca no Brasil, que conta com apoio da Petrobras e de várias outras instituições, e vice-comissário do Brasil na Comissão Internacional de Pesca à Baleia (CIB).

O motivo da manifestação de Palazzo Jr. foi um artigo assinado por Leah Gerber, da Universidade do Arizona, na revista Science de 28 de janeiro. No estudo, a cientista afirma que os dois gigantescos santuários existentes hoje – um no Oceano Índico e outro ao redor da Antártica – não estão cumprindo o papel de proteger a vida dos cetáceos.

Para o pesquisador brasileiro, os exemplos do mundo prático, além de serem mais significativos, apontam para uma outra realidade. "O efeito da moratória da caça comercial e o fim das frotas baleeiras pelágicas começam a ser percebidos pelo acúmulo de dados comprovando o crescimento populacional de algumas espécies, como é o caso da franca e da jubarte", explica.

Segundo Palazzo Jr., determinados grupos de cetáceos foram avistados nos últimos anos em regiões onde há décadas não apareciam. "As baleias azuis, por exemplo, voltaram a ser vistas nos arredores da Ilha de Chiloé, na entrada da Patagônia chilena."

O caminho escolhido por países como Brasil e Chile, que é o mesmo adotado pela Argentina não aparece no trabalho da Science e foi isso que mais chamou a atenção de Palazzo Jr.

"No período pós-moratória, nós adotamos o modelo de gestão não-letal. O turismo de observação, por exemplo, é muito mais sustentável ecologicamente e interessante do ponto de vista social do que a colheita baleeira unitemporal, concentradora de renda e sem qualquer exemplo de sustentabilidade até hoje registrado", afirma.

Tanto os pesquisadores da América do Norte como Palazzo Jr. concordam que uma gestão sustentável e um plano de manejo adequado são tão importantes como uma área de proteção para as baleias. "A questão, na realidade, é que tipo de manejo do recurso baleia para a fruição de benefícios os grandes cetáceos comportam", disse Palazzo Jr. à Agência FAPESP.

O trabalho de Gerber foi encomendado pela CIB. Para o pesquisador, ao longo da existência do comitê científico da comissão, o grupo de pesquisadores sempre buscou criar modelos matemáticos e sistemas estatísticos de avaliação das populações que permitissem recomendar cotas seguras de caças. "O resultado, em todos os casos, foi a diminuição violenta dos estoques e populações-alvo", afirma Palazzo Jr.

Para ler a notícia sobre o artigo de Leah Gerber, clique aqui.


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