Genética do ritmo cardíaco
02 de maio de 2006

A partir de uma ferramenta que permitiu vasculhar todos os 3 bilhões de letras do genoma humano, grupos de pesquisa dos Estados Unidos e da Europa identificaram um novo tipo de gene, que está envolvido com a morte súbita, decorrente de problemas no coração

Genética do ritmo cardíaco

A partir de uma ferramenta que permitiu vasculhar todos os 3 bilhões de letras do genoma humano, grupos de pesquisa dos Estados Unidos e da Europa identificaram um novo tipo de gene, que está envolvido com a morte súbita, decorrente de problemas no coração

02 de maio de 2006

 

Agência FAPESP - Em vez de um estudo focado em apenas um gene, pesquisadores do Hospital John Hopkins, do Framingham Heart Study, e da Rede Nacional de Estudos do Genoma da Alemanha decidiram olhar para todos os 3 bilhões de letras do genoma humano. Essas abordagem, pelo menos para o caso das doenças cardíacas, parece ter dado bons resultados.

Para surpresa dos pesquisadores, um gene que está envolvido com a predisposição encontrada em algumas pessoas de ter um ritmo cardíaco anormal acabou sendo identificado. Essa alteração nos batimentos, por exemplo, é um das causas para a chamada morte súbita, que apenas nos Estados Unidos afeta 300 mil pessoas por ano.

Não existem relatos na literatura científica, como mostra o artigo assinado pelo grupo internacional e publicado na Nature Genetics desta semana (30/4), de que o gene chamado de NOS1AP estaria, de alguma forma, relacionado com as batidas do coração. Os pesquisadores atribuem esse fato ao tipo de análise utilizado para o estudo.

O gene agora conhecido teria influência, mostra a pesquisa, sobre o intervalo QT (tempo que demora uma contração ventricular, que é normalmente de 0,30 segundo). Essa fração do tempo, segundo os médicos, é um dos fatores de risco para a morte súbita.

Enquanto nos corações sadios o intervalo QT costuma ser constante, entre as pessoas com mais predisposição para a morte súbita essa medida de tempo é muito longa ou então muito curta. Os médicos acreditam que pelo menos em um terço dos pacientes cardíacos essa disfunção é uma das primeiras pistas que aparecem.

Apesar de ainda existir um longo caminho pela frente, e de qualquer problema sempre ser fruto da relação entre genes e meio ambiente, os pesquisadores acreditam que mais um passo importante foi dado dentro da medicina cardíaca. Esse caminho agora aberto poderá permitir uma identificação mais precisa dos candidatos a morte súbita. A partir desse diagnóstico precoce será mais fácil salvar a vida do paciente.

Mais informações: www.nature.com/ng/index.html


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