Projeto pretende unir o conhecimento gerado na universidade com os saberes da periferia
(foto: Observatório de Favelas)

Fusão do conhecimento
18 de abril de 2006

Fortalecer o elo entre o conhecimento popular e a informação gerada nas universidades é a missão do projeto Conexões de Saberes. A UFSCar seleciona os primeiros 25 bolsistas em São Paulo

Fusão do conhecimento

Fortalecer o elo entre o conhecimento popular e a informação gerada nas universidades é a missão do projeto Conexões de Saberes. A UFSCar seleciona os primeiros 25 bolsistas em São Paulo

18 de abril de 2006

Projeto pretende unir o conhecimento gerado na universidade com os saberes da periferia
(foto: Observatório de Favelas)

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Projetos de pesquisa no lado paranaense do Vale do Ribeira. Acesso a linhas de microcrédito por comunidades carentes na Grande Recife. A discussão sobre a política de cotas no Rio de Janeiro.

Por causa do projeto Conexões de Saberes, criado pela organização não-governamental Observatório de Favelas do Rio de Janeiro e encampado, desde 2005, pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério de Educação e Cultura (MEC), 14 regiões do Brasil estão presenciando uma parceria inédita. Alunos de graduação de origem popular, todos estudantes de universidades federais, funcionam como elo entre o ambiente universitário e as comunidades carentes onde residem.

"Esse é um projeto realmente apaixonante que, em 2006, foi ampliado para 31 instituições federais de ensino superior, uma em cada estado do Brasil", disse Sergio Donizetti Zorzo, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), à Agência FAPESP. A instituição é a primeira a receber o projeto no Estado de São Paulo. "Vamos ter ações em nossos três campi: São Carlos, Sorocaba e Araras", explica Zorzo, que será um dos coordenadores da iniciativa no estado paulista.

Cada uma das instituições federais terá que selecionar 25 alunos de graduação, que precisarão estar cursando até o terceiro período letivo e ter disponibilidade para trabalhar 20 horas por semana. A inscrição está aberta a candidatos de origem popular e de baixa renda. Demais alunos ou docentes também podem participar das pesquisas, mas de forma voluntária. Os alunos selecionados receberão bolsas mensais no valor de R$ 300. Cada uma das universidades terá que escolher dois coordenadores locais. Em nível nacional, esse trabalho é feito por Jorge Luiz Barbosa, pró-reitor de extensão da Universidade Federal Fluminense.

"A intenção é criar um ciclo. A informação sai da universidade, vai até as comunidades populares e depois volta", explica Zorzo. Segundo o pesquisador, as linhas de ação do programa em São Paulo serão traçadas apenas após o fim da seleção. "Isso é algo que será decidido em comum acordo com o próprio grupo."

Criado em 2001, o Observatório de Favelas do Rio de Janeiro é coordenado por moradores ou ex-moradores de periferia que chegaram à universidade mas preservaram vínculos com os locais de origem. Segundo dados divulgados pela instituição, apenas 1% da população das favelas cariocas consegue entrar no ensino superior.

No ano passado, o MEC, ao replicar a experiência do Rio de Janeiro, atingiu 350 bolsistas nos 14 estados escolhidos para o início do programa. Agora, com a nova expansão, a meta é ter 775 bolsistas. O investimento total no programa Conexão de Saberes deverá ser de R$ 5,5 milhões em 2006.

"A construção de uma nova universidade, capaz de contribuir no atendimento das demandas centrais de grande parcela da população sem perder a excelência, é um desafio contemporâneo", afirma Zorzo. Na UFSCar, ele divide a coordenação da nova empreitada com os professores André Faisting e Marina Palhares.

Mais informações: www.proex.ufscar.br/conexoes


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