Frituras indigestas

Pesquisa feita no Instituto Adolfo Lutz com dez amostras de óleo para frituras, coletadas no comércio, mostra que todas estavam impróprias. O maior problema foi a alta temperatura, que pode provocar reações gastrointestinais

24 de outubro de 2005
Frituras indigestas

Pesquisa feita no Instituto Adolfo Lutz com dez amostras de óleo para frituras, coletadas no comércio, mostra que todas estavam impróprias. O maior problema foi a alta temperatura, que pode provocar reações gastrointestinais

24 de outubro de 2005

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Das dez amostras de óleo de soja refinado obtidas durante a fritura de alimentos, todas se mostraram insatisfatórias em pelo menos um ensaio laboratorial. Essa foi a constatação de uma pesquisa assinada por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz.

O projeto de pesquisa "Avaliação da qualidade de óleos e gorduras utilizados para fritura no comércio do município de Santos" incluiu a análise de 20 amostras de óleo. Metade foi coletada antes e a outra parte durante a fritura dos alimentos, principalmente pastéis. O material foi obtido com o auxílio de agentes da Vigilância Sanitária de Santos.

A maioria das amostras submetidas à fritura não foi aprovada em testes como acidez, viscosidade, densidade, índice de refração e temperatura do óleo. Segundo Mário Tavares, engenheiro químico e um dos responsáveis pela pesquisa, o maior problema foi verificado no último item: seis amostras (60%) superaram os 180°C estipulados pelo Ministério da Saúde.

"Grande parte dos comerciantes não tinha nenhum aparelho específico, como um termostato acoplado à fritadeira", explica Tavares à Agência FAPESP. "Dessa forma, o controle térmico acaba sendo feito na base do improviso." Acima dos 180º C, informa o pesquisador, os óleos sofrem uma decomposição muito acelerada que pode ser bastante prejudicial à saúde humana.

Além de levar a perdas na qualidade dos alimentos fritos, o aquecimento elevado do óleo pode ocasionar o rápido acúmulo de substâncias patogênicas em decomposição. "Em grande quantidade, esses chamados compostos polares causam distúrbios gastrointestinais, como diarréia", disse o pesquisador do Instituto Adolfo Lutz.

A quantidade desses tipos de compostos presentes nos óleos durante a fritura é considerada como o principal parâmetro para o monitoramento do grau de degradação desses líquidos. Entre as amostras analisadas, quatro delas (40%) revelaram teores acima dos 25% recomendados pelo Ministério da Saúde e pela legislação internacional.

"O maior problema no Brasil é que existe uma grande quantidade de recomendações técnicas que não têm poder de legislação. A temperatura dos óleos durante a fritura, apesar de ter sido detectado como um grande problema, é um dos únicos parâmetros regulamentados por meio de uma resolução", conta Tavares.

Nas dez amostras coletadas antes da fritura, os pesquisadores verificaram que todas estavam de acordo com a legislação brasileira quanto às características de identidade e qualidade do óleo.


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