Há 2,3 bilhões de anos, a Terra teria se tornado uma bola de neve com 700 metros de espessura, mas, segundo novo estudo, algumas formas de vida resistiram ao período que pode não ter sido tão gelado como se acreditava
Há 2,3 bilhões de anos, a Terra teria se tornado uma bola de neve com 700 metros de espessura, mas, segundo novo estudo, algumas formas de vida resistiram ao período que pode não ter sido tão gelado como se acreditava
A questão é que, com tal situação climática extrema, nenhuma forma de vida teria conseguido sobreviver. Sem fotossíntese, não haveria alimento para ninguém, muito menos para os eucariotos, organismos com núcleo definido por membrana e que teriam dado origem a todos os animais e vegetais hoje conhecidos.
Mas, segundo artigo publicado na edição de junho da revista Geology, da Sociedade Geológica Norte-Americana, a grande bola de neve pode ter sido menor do que se imaginava.
De acordo com dados coletados no Canadá por uma equipe da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, as cianobactérias, também conhecidas como algas azuis – organismos aquáticos procariontes e fotossintéticos – viviam antes de o frio intenso chegar. Elas teriam, então, sobrevivido à falta de alimentos, ao contrário do que se imaginava até agora.
"Nossos resultados colocam em dúvida até que ponto aquele ‘freezer’ que existia na Terra era realmente tão gelado assim", disse Roger Buick, astrobiologista da universidade norte-americana e um dos autores da pesquisa.
As algas azuis desempenharam um papel fundamental na origem da vida, tendo injetado oxigênio na atmosfera. As vidas estudadas agora foram identificadas a partir de fósseis moleculares (biomarcadores), encontrados em cápsulas de óleo presas em rochas.
O artigo Biomarkers from Huronian oil-bearing fluid inclusions: An uncontaminated record of life before the Great Oxidation Event, de Adriana Dutkiewicz, Herbert Volk, Simon C. George, John Ridley e Roger Buick, pode ser lido no site da Geology (vol. 34, nº 6), em
www.gsajournals.org.
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