Redes de excelência na Europa funcionam como instrumento de política científica para que a liderança competitiva em certas áreas seja mantida, diz a brasileira Miriam Mendes, gerente de uma das maiores redes do continente (ilust.: Unesco)

Força política

Redes de excelência na Europa funcionam como instrumento de política científica para que a liderança competitiva em certas áreas seja mantida, diz a brasileira Miriam Mendes, gerente de uma das maiores redes do continente

26 de outubro de 2005
Força política

Redes de excelência na Europa funcionam como instrumento de política científica para que a liderança competitiva em certas áreas seja mantida, diz a brasileira Miriam Mendes, gerente de uma das maiores redes do continente

26 de outubro de 2005

Redes de excelência na Europa funcionam como instrumento de política científica para que a liderança competitiva em certas áreas seja mantida, diz a brasileira Miriam Mendes, gerente de uma das maiores redes do continente (ilust.: Unesco)

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - O cronograma para os próximos cinco anos está pronto e os recursos assegurados. Agora, começa a parte mais complicada: fazer com que a Europa permaneça na liderança científica em determinadas áreas do conhecimento. Para isso, é preciso juntar as partes certas de um grande quebra-cabeça.

"As redes de excelência são instrumentos de política científica para a Comunidade Européia manter sua competitividade ", explica a bióloga brasileira Miriam Mendes, que está na Universidade de Oxford, na Inglaterra, como gerente de projeto da DC-Thera, uma das maiores redes de excelência que está sendo implementada no continente europeu.

O papel dessas redes, explica Miriam, é fazer um determinado campo do conhecimento funcionar como um quebra-cabeça bem montado, com grupos disseminando conhecimento em suas respectivas áreas para evitar a duplicação de esforços. Além disso, o projeto também identifica as áreas mais negligenciadas, para assegurar uma racionalização da alocação dos recursos.

"Um dos exemplos práticos, que está em curso, é o das células dendríticas [que protegem o organismo contra agentes patogênicos]", diz a pesquisadora brasileira. Segundo ela, apenas nesse caso, serão destinados 7,6 milhões de euros para a rede funcionar.

Os recursos serão usados para produzir a estrutura auto-sustentável da comunidade envolvida em células dendríticas. "A idéia é facilitar tanto o desenvolvimento da área científica, incluindo massa crítica, como a tradução da pesquisa básica em benefício clínico", conta Miriam.

Até 2009, a rede de excelência tem como meta integrar 32 grupos de pesquisadores, clínicos e empreendedores com outros 16 parceiros de diversos setores. Esse processo será considerado um sucesso se o conhecimento gerado de um lado, seja na genômica, na proteômica, biologia celular e molecular, chegar até os tratamentos clínicos para o câncer ou aids, por exemplo.

"Fazer com que as pessoas interajam é o nosso grande gargalo. Muitos tendem a se relacionar sempre com os mesmos colegas, o que acaba criando grupos estanques e inibindo a cooperação", diz Miriam. Outro desafio que terá de ser enfrentado em termos europeus é fazer com que quem estava acostumado a competir passe a colaborar com outros.

Quebrar as práticas estabelecidas, na visão da pesquisadora, é outro obstáculo bastante visível. "Não é muito fácil formatar um novo campo em que se propõe uma mudança de como tratar o câncer e as doenças auto-imunes e crônicas. Isso tudo está muito sedimentado, tanto na pesquisa como na clínica", afirma a bióloga.

Para Miriam, os cientistas estão normalmente mais orientados para fatos e conteúdos do que para relações interpessoais. Isso, segundo ela, é vantajoso em termos de pesquisa, mas não em termos de interação. "Os desafios são grandes, mas os potenciais benefícios científicos e clínicos que são esperados de redes como a DC-Thera valem o esforço", diz. .

Mais informações: www.dc-thera.org


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