Agência FAPESP - Um estudo inovador, desenvolvido durante a tese de doutorado de Eduardo Ferrara, defendida no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), foi premiado como o melhor trabalho no 20º Congresso da Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica, entre 170 apresentados.
O reconhecimento durante o evento, que ocorreu de 22 a 26 de outubro, em São Pedro (SP), rendeu ao pesquisador o Prêmio Cândido Pinto de Melo. O trabalho, desenvolvido em parceria entre o Instituto de Física da USP, o Centro de Tecnologia Biomédica (CTB) do Instituto do Coração (Incor) e a Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, é intitulado Velocimetria de imagens de partículas aplicada ao estudo de dispositivos de assistência ventricular pediátricos.
Ferrara explica que a velocimetria de imagens de partículas é uma técnica consagrada no exterior, mas que ainda não foi muito utilizada no Brasil para finalidades médicas. No país, a técnica é usada para aplicações em engenharia naval e na indústria aeronáutica – no cálculo de coeficientes de arrasto em aerodinâmica, por exemplo.
O pesquisador adaptou a tecnologia para analisar o escoamento de fluidos sangüíneos no ventrículo artificial pediátrico, atualmente em desenvolvimento pelo Incor e que deverá ser liberado para uso clínico no início de 2007. O ventrículo artificial é utilizado para oferecer auxílio circulatório ao coração de pacientes que aguardam por um transplante cardíaco.
"Adaptamos a velocimetria de imagens de partículas para ser utilizada como uma técnica capaz de determinar a distribuição de velocidades do sangue dentro do ventrículo artificial", disse Eduardo Ferrara à Agência FAPESP.
"Por meio dessa distribuição de velocidade, conseguimos identificar regiões com altas turbulências ou com estagnação do escoamento do sangue dentro do ventrículo. O sistema é formado por aplicações de laser de alta potência e câmeras de aquisição rápida de imagens", explica Ferrara.
Segundo ele, ao ser adaptada para a análise do escoamento de fluidos, a técnica pode ser usada para prevenir a formação de trombos em órgãos artificiais.
Com a velocimetria de imagens de partículas, todas as características fluido-dinâmicas que levam à formação de um trombo podem ser identificadas com antecedência. "Podemos otimizar toda a estrutura do escoamento sanguíneo no ventrículo artificial para minimizar a formação de trombos, que ocorre em regiões de estagnação sangüínea", conta o pesquisador.
"Essa seria apenas uma das possíveis aplicações da técnica, que também pode ser usada em válvulas cardíacas e outros tipos de ventrículos artificiais, inclusive o de adulto, que já está em operação no Incor. Teoricamente, o sistema pode ser usado para estudar o escoamento em qualquer dispositivo artificial que tenha fluxo sangüíneo", explica.
A tese de doutorado de Eduardo Ferrara, que teve bolsa da FAPESP, foi orientada por Idágene A. Cestari e Adolfo A. Leirner, ambos do CTB/Incor, Kenneth Christensen, da Universidade de Illinois (EUA), e Mikiya Muramatsu, do Instituto de Física da USP.
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