Finep premia inovações do Sudeste | AGÊNCIA FAPESP

Foram divulgados os ganhadores, em seis categorias, do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2007 da Região Sudeste. Orbital Engenharia e Nanox Tecnologia, apoiadas pelo Pipe/FAPESP, estão entre os vencedores

Finep premia inovações do Sudeste

26 de outubro de 2007

Agência FAPESP – Um secador de cabelos revestido com nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2) que ajuda a combater fungos e bactérias presentes no ar, um medicamento para tratamento do alcoolismo, um painel solar com tecnologia nacional utilizado no satélite sino-brasileiro Cbers-2B e um avião de pequeno porte ideal para pistas molhadas.

Esses são alguns projetos que conquistaram o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica 2007 da Região Sudeste, que concedeu, na quarta-feira (24/10), em São Paulo, troféus aos autores de trabalhos em seis categorias, quatro de São Paulo, um do Espírito Santo e um de Minas Gerais.

Os trabalhos vencedores pertencem às empresas paulistas Embraer (na categoria Produto), Orbital Engenharia (Processo), Laboratório Cristália, (Média/Grande Empresa) e Nanox Tecnologia (Pequena Empresa). O prêmio de Melhor Instituição de C&T ficou com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e o primeiro lugar na categoria Inovação Social coube à Embrapa Gado de Leite, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Juiz de Fora (MG).

Também receberam troféus o segundo e o terceiro colocados em cada uma das seis categorias. Os seis vencedores do Sudeste disputarão, com ganhadores das demais regiões do Brasil, a etapa nacional do prêmio que está prevista para o fim do ano, em Brasília.

O julgamento dos projetos do Sudeste, que contou com a participação de nove jurados representantes das comunidades acadêmica e empresarial, ocorreu no dia 12 de setembro. Do total de 732 propostas inscritas em todo o país, a região concorreu com 214.

O Prêmio Finep de Inovação Tecnológica visa a estimular esforços inovadores de empresas, cooperativas e instituições de ciência e tecnologia que geram resultados positivos para a sociedade brasileira. Foi criado em 1998, na região Sul, com 48 projetos inscritos. No ano 2000 foi lançado em todas as regiões do país.

A empresas Orbital Engenharia e Nanox Tecnologia contam com apoio do Programa de Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro-Empresa (Pipe) da FAPESP.


Os projetos vencedores:

Orbital Engenharia (Processo)

A empresa desenvolveu um painel solar para o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-2B) lançado da China no dia 19 de setembro e projetado para durar dois anos. Com 16 mil células solares produzidas a partir do silício, o painel capta energia solar e a converte em elétrica para alimentar os equipamentos e recarregar as baterias do satélite.

O painel solar é composto pela ligação em série de milhares de unidades formadas por três componentes: célula solar, interconector e cobertura de proteção. A célula solar é responsável pela captação da luz do Sol, enquanto o interconector faz o contato elétrico entre as células por meio de minúsculas partículas de prata. A cobertura de proteção, que é feita de vidro, protege as células das radiações do espaço.


Nanox Tecnologia (Pequena Empresa)

O Taiff Titanium é um secador desenvolvido com o uso de nanotecnologia. O Nanox Clean é um revestimento bactericida, imperceptível a olho nu, que, aplicado no secador, reduz a quantidade de microrganismos, proporcionando um jato de ar mais puro e diminuindo chances de caspa e seborréia.

A novidade foi desenvolvida em parceria com o Centro Multidisciplinar de Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP, que funciona na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ambas no interior de São Paulo.

Testes realizados no CMDMC comprovaram a eficácia do secador no combate à Escherichia coli, uma das mais antigas bactérias parasitas do homem, sendo o intestino seu hábitat natural, e a Serratia marcescen, que é geralmente associada a infecções como a pneumonia, especialmente em pacientes hospitalizados.

A Nanox Tecnologia desenvolve soluções por meio da síntese de óxidos e metais nanoestruturados. A nanotecnologia permite que superfícies de diversos tipos de materiais sejam beneficiadas pelos revestimentos desenvolvidos pela empresa, visando à melhoria de suas propriedades.


Embraer (Produto)

O Phenom 100, jato de pequeno porte desenvolvido pela Empresa Brasileira de Aeronáutica, foi projetado para ter vida útil de 32 anos, enquanto similares da categoria têm duração estimada em 14 anos.

A utilização da fibra de carbono em 20% da estrutura deixa a aeronave mais leve, o que implica menor consumo de combustível. A aeronave é equipada com freio anti-skid, similar ao ABS utilizado em automóveis, que conta com sistema antitravamento das rodas e permite o pouso em pistas molhadas.

O jato pode voar até 41 mil pés, mesma altitude utilizada em vôos de aviões comerciais, e percorrer 2.146 quilômetros, distância entre Rio de Janeiro e Maceió, sem precisar ser reabastecido. O jato tem capacidade para oito ocupantes e características inovadoras de design e conforto.


Laboratório Cristália (Média/Grande Empresa)

Medicamento para o tratamento de alcoólatras que inibe a sensação de prazer proporcionada pela ingestão de álcool, o Revia é produzido pelo Laboratório Cristália, em Itapira (SP), e age na região do cérebro responsável por bloquear os receptores da endorfina, que estimulam a sensação de euforia.

O laboratório deu início a suas atividades na área de psiquiatria em 1972, fornecendo medicamentos para clínicas e hospitais. A partir de 1998, a empresa entrou no ramo de vendas em farmácias e drogarias. O primeiro medicamento de grande repercussão desenvolvido pela empresa foi o haloperidol, indicado para tratamento dos sintomas psicóticos, como agitação e agressividade.

Outro produto introduzido pelo laboratório no mercado é o curativo Veloderm, constituído por uma película biológica natural obtida a partir da cana-de-açúcar, que atua como um substituto da pele, especialmente no tratamento de queimaduras e em cirurgias plásticas. Ao todo, foram 33 medicamentos inovadores desenvolvidos pela empresa, sendo 29 exclusivos no mercado brasileiro.


Incaper (Instituição de C&T)

Fruto de dez anos de pesquisas, o abacaxi Vitória permitiu uma economia anual de aproximadamente R$ 1,2 milhão para os produtores do Espírito Santo, e dobrou a produtividade da fruta no estado, de 21 para 42 toneladas por hectare.

Isso porque, por meio de técnicas de melhoramento genético, o Vitória apresentou resistência à fusariose, doença causada por fungos que apodrece os frutos e provoca perdas de até 40% da produção.

O fruto apresenta polpa branca e elevado teor de açúcar. Além disso, pesa quase dois quilos, não tem espinhos nas folhas e a coroa é pequena, o que facilita o manuseio. Sua casca dura suporta o transporte, evitando o amassamento.

Esse é um dos 130 projetos de pesquisa atualmente em andamento no Incaper, instituto de pesquisa que presta assistência técnica a 40 mil agricultores por ano, promovendo mais de 280 cursos direcionados aos pequenos produtores.


Embrapa Gado de Leite (Inovação Social)

O objetivo do projeto desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite da Embrapa é diminuir a contaminação microbiana, melhorando a qualidade do leite e tornando os produtos mais seguros para consumo humano.

Para isso foi lançado, em julho desse ano, o Kit Embrapa de Ordenha Manual, que ensina medidas simples e de fácil compreensão aos pequenos produtores. Ele pode ser montado por R$ 150 e serve para conscientizar e sensibilizar os pequenos produtores para a obtenção do leite com baixas contagens bacterianas.

A Embrapa realiza ainda treinamento e distribui cartilhas ilustradas que padronizam os procedimentos de utilização do kit em diferentes regiões do país.

Os alunos aprendem medidas de higiene para ordenha e manipulação do material, como a substituição de panos por toalhas de papel para secar as mãos, utilização de banquinhos com apenas um pé que, presos na cintura, evitam o contato dos bancos tradicionais com as mãos, e utilização de água clorada para higiene.

Mais informações: www.finep.gov.br


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