Tecnologia brasileira poderá diminuir a quantidade de partículas inaláveis na atmosfera paulistana

Filtro contra poluição do ar
12 de julho de 2006

Invento de engenheiro paulista mostra bons resultados na redução de emissões de partículas inaláveis finas, que são lançadas na atmosfera por motores a diesel de ônibus e caminhões

Filtro contra poluição do ar

Invento de engenheiro paulista mostra bons resultados na redução de emissões de partículas inaláveis finas, que são lançadas na atmosfera por motores a diesel de ônibus e caminhões

12 de julho de 2006

Tecnologia brasileira poderá diminuir a quantidade de partículas inaláveis na atmosfera paulistana

 

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Existe um consenso entre pesquisadores que estudam a poluição atmosférica de metrópoles como São Paulo. Para eles, o ozônio e o material particulado são os poluentes mais nocivos à saúde humana. Nos próximos meses, quando estiver certificado, um invento desenvolvido no Brasil poderá contribuir para que a emissão de pelo menos um desses contaminantes seja reduzida.

A tecnologia, desenvolvida pelo engenheiro paulista Sergio Varkala Sangiovani, pretende barrar, logo após a emissão feita pelos motores, as chamadas partículas inaláveis finas, que medem menos de 2,5 micrômetros (milionésima parte do metro) de diâmetro. Resultado de seis anos de trabalho, o filtro, para equipar ônibus, caminhões e até geradores, funciona apenas para o diesel.

O dispositivo também está regulado para aceitar a alta quantidade de enxofre que existe no diesel produzido no Brasil. O tipo de composição química desse combustível costuma inviabilizar a eficiência dos catalisadores convencionais.

O diesel é um dos grandes vilões da poluição atmosférica urbana. Por isso, além de filtros mais eficientes, sua produção com menor quantidade de enxofre, como ocorre em países como os Estados Unidos, é estratégia que também deve ser considerada, aconselham os especialistas – além do progressivo abandono dessa fonte energética.

Após realizar boa parte das pesquisas por conta própria, Sangiovani conseguiu recursos no exterior para viabilizar a invenção. Com a chegada do capital, foi instituída a Sabertec, empresa sediada no Texas, nos Estados Unidos, que comercializará o futuro produto no Brasil. A linha de produção, terceirizada, deverá funcionar em Diadema, onde o filtro foi testado em 2005 e depois doado à prefeitura local.

A redução na emissão de partículas inaláveis finas teria chegado aos 40% nos testes feitos até agora, disse Sangiovani na apresentação do Filtro de Impacto para Particulados Diesel (IDPF, na sigla em inglês), feita na capital paulista na terça-feira (11/7).


Testes em Interlagos

O ganho qualitativo obtido com o filtro foi detectado em testes feitos em parceria com o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental (LPAE) do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Todo o protocolo foi desenvolvido com ônibus convencionais, que circulam normalmente pela cidade, a partir de testes feitos no Autódromo de Interlagos.

"Simulamos uma situação normal de uso. Com subidas, descidas e assim por diante", disse Paulo Alfonso de André, pesquisador do LPAE, um dos principais grupos do mundo na investigação da poluição urbana e de seu impacto no homem.

Com o lado qualitativo confirmado, falta agora quantificar a melhoria. "Com mais um mês de trabalho, vamos conhecer a redução das emissões de partículas promovida pelo filtro. Mas sabemos que existe uma redução, o que já é importante em termos de saúde pública", disse André.

Para o pesquisador da USP não existem dúvidas de que o diesel é uma das fontes mais importantes da poluição atmosférica em uma grande cidade. Segundo ele, se houvesse um índice de toxicidade de combustíveis – que deverá ser apresentado pelo mesmo grupo em breve – o diesel apareceria na frente da gasolina e do álcool.

"Isso significa que devemos trocar todos os motores pelo álcool? Talvez não. Nosso papel é mostrar caminhos do ponto de vista da saúde pública, mas a questão da poluição atmosférica é bem ampla. Ela deve ser analisada sob vários pontos de vista, de forma integrada", defende o pesquisador.

Se o novo filtro virar uma das armas para diminuir a quantidade de partículas finas no ar, o ganho apenas será percebido pela população caso, por exemplo, as empresas de ônibus incorporem a tecnologia. Mas, mesmo que isso ocorra – e cada um dos filtros deverá custar, em média, US$ 1,1 mil –, o problema ainda estará longe de ser resolvido.

Segundo André, faltará combater as demais fontes de emissão de particulados e todas as demais que são, por exemplo, as precursoras do ozônio. Sem essas ações, os habitantes de São Paulo continuarão a inalar, no ato de respirar, em média, o equivalente ao uso de cinco cigarros a cada dia.


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