Simpósio em Montevidéu reúne pesquisadores de diversos países para apresentar resultados de estudos e discutir oportunidades de colaboração (Foto: Heitor Shimizu)

FAPESP Week estimula colaborações em pesquisa na América do Sul

Simpósio em Montevidéu reúne pesquisadores de diversos países para apresentar resultados de estudos e discutir oportunidades de colaboração

18 de novembro de 2016
FAPESP Week estimula colaborações em pesquisa na América do Sul

Simpósio em Montevidéu reúne pesquisadores de diversos países para apresentar resultados de estudos e discutir oportunidades de colaboração

18 de novembro de 2016

Simpósio em Montevidéu reúne pesquisadores de diversos países para apresentar resultados de estudos e discutir oportunidades de colaboração (Foto: Heitor Shimizu)

 

Agência FAPESP | Heitor Shimizu, de Montevidéu – Pesquisadores do Uruguai, Argentina, Brasil e Paraguai estão reunidos em Montevidéu para apresentar resultados de estudos na fronteira do conhecimento e discutir oportunidades de colaboração.

O simpósio, dias 17 e 18 de novembro, é organizado pela FAPESP em colaboração com a Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) e a Universidad de la República (UdelaR).

Na abertura do evento, Alvaro Maglia Cenzani deu as boas-vindas aos participantes e falou sobre a AUGM, associação da qual é secretário executivo.

Criada em 1991, a AUGM é uma rede de universidades públicas na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai que, somadas, reúnem mais de 1,5 milhão de estudantes de graduação, 250 mil de pós-graduação e 135 mil pesquisadores e professores.

“A AUGM tem como objetivo fundamental criar um espaço acadêmico comum na região a partir da cooperação e visando à integração dos países por meio de seu desenvolvimento”, disse Maglia, professor de Odontologia na UdelaR.

A AUGM tem diversos programas para estimular a cooperação científica de seus países-membros, como os Núcleos Disciplinários, que são grupos técnico-científicos em áreas de interesse comum a seus integrantes. O programa reúne pessoas com alta qualificação em diversas atividades científicas e acadêmicas.

Outro programa da AUGM são as Escalas, que estimulam a mobilidade acadêmica de estudantes de graduação e de pós-graduação, de professores e de gestores e administradores. Representantes da AUGM e da FAPESP assinaram, em 2015, um acordo de cooperação para apoiar colaborações em pesquisa.

Em seguida, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, agradeceu aos anfitriões, à organização e aos pesquisadores presentes e falou sobre a série de eventos organizados pela FAPESP internacionalmente.

“As FAPESP Week são oportunidades importantes para criar condições de incentivar colaborações científicas entre pesquisadores do Estado de São Paulo e de outros países”, disse.

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da FAPESP representando o presidente da Fundação, José Goldemberg, destacou a importância de “incentivar não só a mobilidade, que é relativamente boa entre os nossos países, mas também de fazer projetos conjuntos de cooperação internacional em pesquisa”.

“Nos últimos anos, a FAPESP tem incentivado a cooperação internacional também para destacar a importância e auxiliar no desenvolvimento da ciência que se produz no Estado de São Paulo e do Brasil. Podemos dizer que quanto melhor a cooperação internacional, melhor a qualidade e maior o impacto da ciência que se produz”, disse.

Maria Simon, professora da Facultad de Ingeniería da UdelaR, ressaltou a necessidade da cooperação internacional para sua instituição. “Como somos uma comunidade pequena, nosso interesse na colaboração internacional é muito grande. E estamos buscando sempre a colaboração em pesquisas de qualidade e de importante valor”, disse.

O reitor Roberto Markarian Abrahamian completou apontando que a UdelaR é “uma universidade grande em um país pequeno”. Única instituição de ensino superior pública do Uruguai, a UdelaR, fundada em 1849, tem mais de 100 mil estudantes.

“Cerca de 80% dos estudantes universitários no Uruguai estudam na Universidad de la República, que é uma instituição estatal”, disse.

São Paulo e a América do Sul

A palestra de abertura da FAPESP Week Montevideo foi proferida por Brito Cruz, que destacou a importância das colaborações internacionais em pesquisa para o avanço do conhecimento nos países participantes.

Como exemplo citou a área de Astronomia, na qual a FAPESP viabiliza a participação de pesquisadores brasileiros em projetos de grande dimensão que financia, como o SOAR, no Chile, e LLAMA e Pierre Auger, na Argentina.

“Com o Uruguai, estamos participando do projeto do telescópio BINGO, que tem como objetivo estudar a matéria escura no Universo e outros fenômenos astrofísicos”, disse.

O telescópio será construído no norte do Uruguai. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) irão liderar os trabalhos de desenho estrutural do telescópio e da produção do protótipo do módulo receptor de sinais – em frequência entre 0,96 GHz e 1,26 GHz. Além de Brasil e do Uruguai, o projeto reúne instituições do Reino Unido e da Suíça.

O diretor científico falou também sobre algumas das modalidades de apoio oferecidas pela FAPESP para estimular o intercâmbio em pesquisa, como o financiamento da vinda de cientistas de outros países para realizar colaborações em pesquisa no Brasil.

Entre esses mecanismos estão, ainda, o Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, o Auxílio à Pesquisa – Pesquisador Visitante, o São Paulo Excellence Chair e as Escolas São Paulo de Ciência Avançada.

Brito Cruz traçou um breve panorama da ciência no Estado de São Paulo, responsável por cerca de 45% da ciência produzida no Brasil e onde são formados a cada ano 40% dos novos doutores no país.

O diretor científico destacou o investimento total em pesquisa e desenvolvimento no Estado de São Paulo, que corresponde a 1,8% do PIB do estado. O percentual tem aumentado. Em 2008, por exemplo, era 1,52%.

Brito Cruz ressaltou a questão das fontes de financiamento à pesquisa no Estado de São Paulo. Enquanto nos outros estados brasileiros o investimento público é, na maior parte, federal, em São Paulo o cenário é diferente.

No Estado de São Paulo, 14% do investimento para pesquisa e desenvolvimento em 2012 foi feito pelo governo federal, ante 24% aplicados pelo governo estadual. As empresas paulistas investiram 59% e as instituições de ensino superior privadas, 2%.

“São Paulo é, de longe, o estado que mais investe em ciência e tecnologia no Brasil. Dez vezes mais do que o Rio de Janeiro, que está em segundo lugar”, disse Brito Cruz. “Esse compromisso tem muitas consequências importantes. Por exemplo, cerca de 40% dos doutores no Brasil fazem a graduação no Estado de São Paulo. Foram 6.777 em 2015.”

“O investimento no setor no Estado de São Paulo é maior do que o de qualquer outro país da América do Sul. Um dos resultados pode ser visto na quantidade de artigos científicos: São Paulo também publica mais do que qualquer outro país do continente”, disse.

Brito Cruz apontou que estado investe cerca de R$ 8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento por ano e que uma parte importante desse esforço é feita pela FAPESP. A Fundação investiu R$ 1,18 bilhão no apoio à pesquisa em 2015.

Saiba mais sobre a FAPESP Week Montevideo: www.fapesp.br/week2016/montevideo.
 

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