Os resultados foram divulgados na revista Brain, Behavior, and Immunity (imagem: PIRO/Pixabay)

COVID-19
Estudo revela ligação entre inflamação e sintomas neuropsiquiátricos em pacientes com COVID longa
26 de fevereiro de 2025

Conduzida no Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental com apoio da FAPESP, pesquisa acompanhou 108 pessoas durante dois anos

COVID-19
Estudo revela ligação entre inflamação e sintomas neuropsiquiátricos em pacientes com COVID longa

Conduzida no Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental com apoio da FAPESP, pesquisa acompanhou 108 pessoas durante dois anos

26 de fevereiro de 2025

Os resultados foram divulgados na revista Brain, Behavior, and Immunity (imagem: PIRO/Pixabay)

 

Agência FAPESP* – Estudo brasileiro que avaliou pacientes com quadros moderados ou graves de COVID-19 revelou conexões importantes entre inflamação persistente e desfechos neuropsiquiátricos de longo prazo, como sintomas de ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas.

Os resultados foram divulgados na revista Brain, Behavior, and Immunity.

A investigação explorou o impacto de citocinas e quimiocinas – proteínas que controlam a resposta imunológica do corpo – nos sintomas neuropsiquiátricos. O estudo acompanhou 108 participantes por um período de dois anos após alta hospitalar por COVID-19.

Os pesquisadores identificaram que níveis elevados de eotaxina, um marcador inflamatório associado à neurodegeneração, estavam ligados aos sintomas depressivos. O índice pró-inflamatório (que soma todos os marcadores inflamatórios analisados no sangue), por sua vez, foi central para a análise estatística, que tentou entender e representar como a conexão entre esses múltiplos fatores afeta o estado psiquiátrico e cognitivo do paciente.

Os cientistas avaliaram também o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), percebendo uma associação com a ansiedade e apontando-o como um conector importante em modelos analíticos. O VEGF é um tipo de proteína que estimula o aumento e a formação de vasos sanguíneos nos tecidos.

A pesquisa tem como autor principal Felipe Couto, graduando na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), e, entre outros, Guilherme Roncete e Sophia Aguiar Monteiro Borges.

Couto conduziu o estudo como aluno de iniciação científica do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), que é apoiado pela FAPESP.

A pesquisa tem como orientadores os médicos psiquiatras Euripedes Constantino Miguel e Rodolfo Furlan Damiano, coordenador e pesquisador do CISM, respectivamente.

“Os achados destacam a complexidade dessas interações e sugerem que esses biomarcadores podem servir como ferramentas de diagnóstico e prognóstico para a síndrome de COVID longa”, destaca Couto.

O estudo utilizou análises estatísticas avançadas, incluindo modelos aditivos generalizados e análises de rede psicológica. Os dados obtidos na investigação científica reforçam o papel da inflamação na persistência dos sintomas neuropsiquiátricos pós-COVID, o que contribui para um avanço no entendimento dessa condição debilitante.

Os resultados abrem caminho para novos estudos com amostras de tamanho maior e um grupo-controle para comparação dos resultados.

O artigo A Two-Year cohort study examining the impact of cytokines and chemokines on cognitive and psychiatric outcomes in Long-COVID-19 patients pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0889159124007372?via%3Dihub.

* Com informações do CISM.
 

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