Alicia Postema, pesquisadora da Área de Estudos da Gripe do Centro de Controle de Doenças, nos Estados Unidos (foto: W. Castilhos)
Especialistas de diversos países, reunidos em simpósio no Rio de Janeiro apontam a necessidade de planos regionais e nacionais para evitar a pandemia de gripe aviária, que já matou 113 pessoas em nove países
Especialistas de diversos países, reunidos em simpósio no Rio de Janeiro apontam a necessidade de planos regionais e nacionais para evitar a pandemia de gripe aviária, que já matou 113 pessoas em nove países
Alicia Postema, pesquisadora da Área de Estudos da Gripe do Centro de Controle de Doenças, nos Estados Unidos (foto: W. Castilhos)
Agência FAPESP - Embora não saiba dizer quão próximo está o mundo de uma pandemia da gripe aviária, o médico brasileiro Otávio Oliva, do Programa de Prevenção e Controle de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), lembra que o vírus H5N1, causador da doença, não está presente no continente americano e que, por conta disso, não deve haver motivos para desespero.
"Para o vírus se tornar pandêmico é necessário haver transmissão de uma pessoa para a outra, o que ainda não ocorreu em lugar algum. Todos os casos da doença estão associados a pessoas que tiveram algum contato com aves doentes", frisou na quinta-feira (4/5), no 1º Simpósio Internacional de Imunobiológicos e Saúde Humana. O evento, realizado no Rio de Janeiro, comemorou os 30 anos de Biomanguinhos, a unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Oliva lembra que, desde 1999, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado para a necessidade de que todos os países se preparem para uma possível pandemia de influenza, o vírus da gripe, do qual a gripe aviária é uma variação.
"As pandemias anteriores pegaram o mundo de surpresa e esta é a primeira oportunidade de não sermos pegos sem aviso. Para tanto, estamos caracterizando planos nacionais de ação em todo o continente americano. Já fizemos na América Central e vamos iniciar os trabalhos nos países do Cone Sul", disse à Agência FAPESP.
Os esforços, segundo Oliva, concentram-se na detecção e na identificação de doentes e na contenção da disseminação da doença, caso chegue ao continente. Os países produtores de vacinas, como Brasil, México e Estados Unidos, estão sendo orientados a produzir lotes piloto de imunizantes.
Outra necessidade é preparar os serviços de saúde. "Os hospitais têm que estar prontos e os profissionais bem treinados para atender possíveis casos", alertou.
Nos Estados Unidos, os esforços são os mesmos. O Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta, elaborou um plano nacional para ajudar os estados e pequenas áreas a se tornarem auto-suficientes no caso de a pandemia chegar ao país. "Produzimos uma pequena quantidade de vacinas com cepas isoladas no Vietnã", disse a epidemiologista Alicia Postema, pesquisadora da Área de Estudos da Gripe do CDC.
Para ela, não há motivo para grande preocupação. Pelo menos, no momento. O H5N1 é um vírus capaz de "pular" a barreira das espécies, mas, assim como ele, existem outros, como foi o caso do H7N2, que no ano passado causou um surto de conjuntivite na Holanda. "Vírus da gripe fazem isso de vez em quando", explica Alicia.
Entretanto, a pesquisadora norte-americana reconhece a força do vírus quando transmitido do animal para um ser humano. "Mas ainda não sabemos se ele, quando transmitido de uma pessoa para outra, será mais ou menos severo do que a forma atual", destacou.
Além de participarem do simpósio, Alicia e Oliva ministraram um curso de caracterização molecular do vírus influenza na Fiocruz, que contou com a participação de representantes da Venezuela, do Peru, da Colômbia, da Costa Rica, do Paraguai e do Brasil.
Dados da OMS mostram que, até o fim de abril, foram confirmados por laboratório 205 casos da gripe aviária, com 113 mortes, em nove países: Azerbaijão, Camboja, China, Egito, Indonésia, Iraque, Tailândia, Turquia e Vietnã. Na China, dos 18 casos confirmados, 12 foram fatais.
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