Dentro da chamada Amazônia azul, esponjas e microrganismos são jazidas de compostos químicos que poderão virar produtos na indústria (foto: Callyspongia sp/Guilherme Muricy-UFRJ)

Em busca de moléculas bioativas
23 de maio de 2006

Dentro da chamada Amazônia azul, esponjas e microrganismos são jazidas de compostos químicos que poderão virar produtos na indústria farmacêutica. Mas os "garimpeiros", apesar de pedidos de patentes, ainda têm muito trabalho pela frente

Em busca de moléculas bioativas

Dentro da chamada Amazônia azul, esponjas e microrganismos são jazidas de compostos químicos que poderão virar produtos na indústria farmacêutica. Mas os "garimpeiros", apesar de pedidos de patentes, ainda têm muito trabalho pela frente

23 de maio de 2006

Dentro da chamada Amazônia azul, esponjas e microrganismos são jazidas de compostos químicos que poderão virar produtos na indústria (foto: Callyspongia sp/Guilherme Muricy-UFRJ)

 

Por Eduardo Geraque, de Águas de Lindóia

Agência FAPESP - Um mergulho com fins científicos no território marítimo brasileiro, região de 3,6 milhões de km² também conhecida como Amazônia azul. Depois, a volta para a terra com alguns microrganismos e espécies de esponjas. Esse é o ponto inicial de uma longa estrada que poderá levar a produtos naturais úteis para o combate de doenças como leishmaniose e tuberculose.

No laboratório de Roberto Berlinck, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo em São Carlos, alguns compostos isolados de extratos de organismos marinhos já demonstraram um bom desempenho contra a Leishmania major e a Mycobacterium tuberculosis, causadoras, respectivamente, da leishmaniose e da tuberculose. Boa parte dessa preparações químicas já foi alvo de pedidos de patentes.

"Essa é uma área nova na química. O grande interesse pela extração de produtos naturais de organismos marinhos começou na década de 1990", disse Berlinck à Agência FAPESP. Segundo o pesquisador, que desenvolveu todos os seus projetos em parceria com grupos de outras áreas e de outras universidades, ainda existem enormes obstáculos antes de colocar essas moléculas químicas em produtos comerciais.

O primeiro problema, explica Berlinck, é a quantidade de material que precisa ser obtido. "As concentrações até agora foram muito pequenas. Como não existe a possibilidade de criar esponjas, por exemplo, a única saída é a síntese desses compostos. E isso cabe aos químicos. Temos muito trabalho pela frente", conta.

Um dos compostos isolados, extraído de uma espécie de esponja (Callyspongia sp), não havia sido descrito no mundo. "São derivados de terpenos, que receberam os nomes de ilhabelanol e ilhabreno, ambos em homenagem a Ilhabela", explica. As coletas das esponjas foram feitas no litoral norte de São Paulo.

"Essa área da microbiologia marinha tem um potencial elevado. O foco, em praticamente todo o mundo, está sendo fechado sobre os microrganismos marinhos, como os fungos, e sobre as esponjas", avisa Berlinck, claramente tentando inspirar jovens químicos a seguir os caminhos que levam ao mar.


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