Resultados de um novo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, na sigla em francês), em Montpellier, está próximo da linha de chegada. O tratamento, desenvolvido em conjunto com a iniciativa privada, é composto unicamente por proteínas sintetizadas pelo próprio parasita. No caso, a Leishmania infatum.
Dos 18 cachorros usados no experimento, 12 foram tratados com doses da vacina. Os restantes não receberam nenhum tipo de medicamento. Depois de três semanas, toda a amostra foi infectada. No fim de dois anos, a progressão da enfermidade foi analisada pelos pesquisadores franceses.
Entre os seis cachorros que receberam 100 microgramas da vacina, a proteção foi de 100%. O mesmo ocorreu com outros três animais imunizados com uma dose de 200 microgramas. O sucesso não foi total apenas entre os cães tratados com 50 microgramas.
Os pesquisadores descobriram que a vacina ativa determinadas células do sistema imunológico, os linfócitos T do tipo Th1. São essas estruturas que produzem o óxido nítrico, substância que mata os parasitas dentro dos macrófagos.
Impedir o surgimento da leishmaniose visceral em cachorros não é benéfico apenas para os próprios animais. Para chegar até os humanos, o protozoário flagelado utiliza o flebótomo, inseto semelhante a uma pequena mosca. Hematófogos, esses artrópodes também se alimentam do sangue dos cães.
Como em algumas regiões do Mediterrâneo determinadas populações de canídeos estão contaminadas em quase 40%, é bem provável que um inseto, ao picar o cachorro, tenha suas glândulas salivares contaminadas. Ao picar homem, depois disso, a transmissão do parasita será inevitável. Os cães alimentam em demasia o ciclo da doença em todas as regiões do mundo.
Apesar do número reduzido de animais utilizado no experimento, os pesquisadores do IRD estão confiantes após os primeiros resultados. Para eles, a vacina poderá em breve impedir, pelo menos pela via dos cães, que a leishmaniose visceral se espalhe ainda mais. Esse é o mesmo medicamento que faz parte da lista de prioridades do Ministério da Saúde do Brasil.
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