Estudo feito com ossos de 22 exemplares encontrados no Canadá indica que tiranossauros tinham taxa de sobrevivência alta na infância, mas a situação se invertia na adolescência, quando a mortalidade disparava
Estudo feito com ossos de 22 exemplares encontrados no Canadá indica que tiranossauros tinham taxa de sobrevivência alta na infância, mas a situação se invertia na adolescência, quando a mortalidade disparava
Durava até a adolescência, segundo estudo feito por pesquisadores norte-americanos e canadenses, o primeiro a tentar decifrar os altos e baixos da vida do gigantesco predador do Cretáceo. A infância era o melhor período para ser um tiranossauro, quando esse aproveitava uma taxa de sobrevivência sem igual.
Logo após o nascimento, o tiranossauro era tão vulnerável aos predadores como outros animais, mas a situação se modificava completamente após os 2 anos. O motivo é que, com essa idade, o animal chegava aos 2 metros de comprimento, maior do que qualquer predador vivo na época.
Sem rivais à vista, os enormes carnívoros prosperavam até os 13 anos, quando atingiam 6 metros, ou cerca de 60% do comprimento máximo. Os pesquisadores basearam o trabalho na análise de 22 exemplares da espécie Albertosaurus sarcophagus, encontrados em um sítio próximo a Calgary, no Canadá.
Os esqueletos foram depositados em uma bacia sedimentar em um curto período de tempo, de semanas ou no máximo meses, há cerca de 70 milhões de anos. Por serem de idades diferentes, representam uma oportunidade única para estudos do tipo. Os autores utilizaram uma técnica de datação a partir da análise de linhas de crescimento de determinados ossos.
Dos 2 aos 13 anos, a taxa de mortalidade do tiranossauro despencava para apenas 3,5%. "Esse padrão de sobrevivência pode explicar a raridade de espécimes juvenis em coleções de museus", escreveram em artigo publicado na edição atual da revista Science.
Mas a fase dourada acabava tão logo começava a adolescência. Dos 13 aos 23 anos, a taxa de mortalidade disparava para 23% ao ano. Dos 22 indivíduos analisados, apenas um atingiu os 28 anos.
Os pesquisadores supõem que o aumento no número de mortes esteja associado aos novos riscos surgidos com a maturidade sexual, por fatores como o estresse que as fêmeas passavam ao pôr ovos e a competição pelo acasalamento enfrentada pelos machos.
Tais fatores, associados a maior suscetibilidade a doenças, contribuiriam para a aceleração da mortalidade e explicariam a escassez de exemplares gigantes de tiranossauros até hoje descobertos. Segundo o estudo, apenas 2% dos indivíduos viveriam o suficiente para atingir o tamanho máximo para as espécies.
O artigo Tyrannosaur life tables an example of nonavian dinosaur population biology, de G.M. Erickson, B.D. Inouye, A.A. Winn e P.J. Curie, pode ser lido por assinantes no site da Science, em www.sciencemag.org.
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