Filme pode ser visto aqui (imagem: reprodução)

Divulgação Científica
Documentário resgata trajetória de pioneira na pesquisa sobre cerâmica popular feminina

Produção apoiada pela FAPESP acompanha o trabalho de Herta Löell Scheuer e revela saberes ancestrais preservados por mulheres no Vale do Ribeira

18 de setembro de 2026
Divulgação Científica
Documentário resgata trajetória de pioneira na pesquisa sobre cerâmica popular feminina

Produção apoiada pela FAPESP acompanha o trabalho de Herta Löell Scheuer e revela saberes ancestrais preservados por mulheres no Vale do Ribeira

18 de setembro de 2026

Filme pode ser visto aqui (imagem: reprodução)

 

Dinorah Ereno | Agência FAPESP – No acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR), uma coleção de cerâmicas guarda histórias de mulheres, comunidades e saberes transmitidos através de gerações. Parte desse acervo é apresentada no documentário Coleção Cerâmica – Herta Löell Scheuer, que também recupera a trajetória da pesquisadora, pioneira no registro da cerâmica popular produzida por mulheres em comunidades de São Paulo e do Paraná. Entre as décadas de 1960 e 1980, Scheuer dedicou-se a documentar a cerâmica popular, seus modos de produção, seus usos e, principalmente, a ação das mulheres responsáveis pela transmissão desses conhecimentos.

De seu trabalho de campo resultaram registros, fotografias, desenhos, publicações e uma importante coleção de objetos doada ao acervo do MAE-UFPR em 1984. Panelas, moringas, potes, cachimbos, ferramentas de trabalho e outros objetos tornam-se testemunhos materiais de práticas culturais que preservam conhecimentos ancestrais que persistiram diante das profundas transformações sociais e econômicas do século 20.

A produção do documentário foi realizada pelo Grupo de Pesquisa em Arqueologia do Gênero, da Persistência e da Libertação (ARGPEL), sediado no Laboratório de Estudos Arqueológicos da Universidade Federal de São Paulo (LEA-Unifesp), em Guarulhos, no contexto de um projeto financiado pela FAPESP. O documentário integra uma série dedicada às práticas cerâmicas do Alto Vale do Ribeira e, sobretudo, às mulheres que mantêm esses saberes vivos, recriando-os continuamente em seus territórios, relações e modos de fazer.

O projeto que serviu de base para o documentário utiliza acervos arqueológicos e museológicos, documentos, fotografias e pesquisas realizadas em diferentes períodos, colocados em diálogo com as pessoas e comunidades do presente, especialmente mulheres ceramistas e suas famílias. “É nesse contexto que retomamos a trajetória e o acervo de Herta Löell Scheuer. Ela reuniu, ao longo de suas pesquisas, peças, fotografias e informações sobre a produção cerâmica de diferentes comunidades. Hoje, revisitamos esses registros a partir de novas perguntas e, principalmente, das pesquisas que realizamos em parceria com mulheres ceramistas do Vale do Ribeira”, relata Marianne Sallum, responsável pelo projeto e pela produção do documentário.


Artesã do projeto Arte nas Mãos - Associação de Artesãos de Apiaí, um dos temas do documentário (foto: divulgação)

“As peças, fotografias e informações registradas por Herta permitem acessar saberes das décadas de 1950 e 1960, servindo como ponte e elo com saberes do passado mais remoto e colocando-os em diálogo com as pesquisas que realizamos hoje nas comunidades”, relata a pesquisadora. Em relação ao presente, o grupo de pesquisa conseguiu aproximar objetos preservados há décadas em museus das histórias das mulheres, suas famílias e lugares aos quais estão relacionadas na atualidade. Quanto ao passado, a comparação entre diversas coleções arqueológicas e informações históricas permitiu verificar que o Vale do Ribeira representa um remanescente cultural de práticas que já foram comuns em grande parte do Estado de São Paulo, mas gradativamente apagadas desde o final do século 19.

Esse diálogo permite reconhecer continuidades, transformações, histórias familiares, modos de fazer e conhecimentos que não podem ser compreendidos apenas a partir dos objetos preservados nos museus. Ele é essencial para estabelecer um elo entre presente e passado e compreender como essas práticas foram transmitidas, mantidas e transformadas entre gerações. “O objetivo central da pesquisa é conectar passado e presente e conseguir reconhecer as interações entre pessoas indígenas e da diáspora africana das diversas comunidades de São Paulo”, pontua Sallum.

“Com o desenvolvimento da pesquisa, o acervo está ganhando novas camadas de significado em relação ao que Herta percebeu”, ressalta.

O documentário, que tem 15 minutos de duração, foi dirigido por Thiago Altafini, bolsista de jornalismo científico da FAPESP. E teve a colaboração do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisas em Evolução, Cultura e Meio Ambiente (Levoc) do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), por meio de um projeto temático, também apoiado pela FAPESP.

Coleção Cerâmica – Herta Löell Scheuer está disponível em youtu.be/8krSexS4I0I.

Mais informações sobre o projeto ARGPEL: argpel.org/
 

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