A polpa da bacaba, uma fruta amazônica sazonal pouco explorada, foi fermentada com microrganismos probióticos (imagem: reprodução)
Projeto vencedor buscou agregar valor à polpa de frutas do Nordeste ricas em compostos bioativos por meio da fermentação com microrganismos probióticos
Projeto vencedor buscou agregar valor à polpa de frutas do Nordeste ricas em compostos bioativos por meio da fermentação com microrganismos probióticos
A polpa da bacaba, uma fruta amazônica sazonal pouco explorada, foi fermentada com microrganismos probióticos (imagem: reprodução)
Agência FAPESP – Foram divulgados no dia 20 de fevereiro os vencedores da 23ª edição do Prêmio Péter Murányi, que teve como tema “Alimentação”. O primeiro colocado foi o projeto “Biotransformação para valorização de frutas nativas subexploradas no Norte e Nordeste do Brasil”, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Buscando agregar valor à polpa da mangaba (Hancornia speciosa) e da bacaba (Oenocarpus bacaba), ricas em compostos fenólicos antioxidantes, a equipe testou um processo de fermentação com bactérias probióticas, como a Lactobacillus acidophilus e a Lacticaseibacillus casei. Segundo os pesquisadores, a estratégia aumentou a biodisponibilidade dos compostos bioativos para o organismo humano. “Nós avaliamos os efeitos da fermentação na composição química e na funcionalidade das polpas fermentadas. E, ao final do estudo, oferecemos um novo produto funcional à sociedade”, disse Marciane Magnani, coordenadora da pesquisa, no vídeo de apresentação dos resultados.
O segundo colocado foi o projeto “FitoFit: Suplemento rico em polifenóis para controle de alterações metabólicas”, uma parceria entre a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a startup FitoFit Pesquisa e Desenvolvimento Ltda. O grupo desenvolveu um suplemento alimentar rico em polifenóis derivado da espécie Cecropia pachystachya (embaúba) e nomeado FitoFit. O efeito no controle do peso e das alterações metabólicas associadas, entre elas diabetes e esteatose hepática, foi testado em camundongos. Outro objetivo do projeto foi fazer o escalonamento do processo de extração dos compostos bioativos. “A FitoFit nasceu da vontade de transformar a biodiversidade em bioprodutos para a saúde e o bem-estar da população”, afirmou Mara Lucia de Campos Resende, diretora de pesquisa da startup.
Em terceiro lugar ficou o projeto “Enriquecimento de alimentos por meio de cultivo: qualidade nutricional e segurança alimentar”, desenvolvido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com apoio da FAPESP. Trata-se de um estudo experimental que avaliou a viabilidade de processos de enriquecimento de alimentos com nutrientes como selênio, ferro e zinco. Em particular, foi testado o enriquecimento de cogumelos comestíveis cultivados em um meio contendo os nutrientes-alvo. Avaliou-se ainda se essa estratégia atuaria na remediação da contaminação por elementos tóxicos, como cádmio, mercúrio e chumbo. “A produção do alimento enriquecido está ligada ao aumento do valor nutricional. Isso confere maior valor agregado e permite prevenir ou corrigir alguma deficiência”, destacou Juliana Naozuka, que lidera a linha de pesquisa no Laboratório de Análises de Especiação Química (Laeq-Unifesp).
A premiação é uma iniciativa da Fundação Péter Murányi, que em 2024 completou 25 anos. Foram indicados à 23ª edição 88 trabalhos, de 49 instituições de todo o país.
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