Pesquisa mostra que o conhecimento dos jovens sobre os métodos anticoncepcionais é limitado
(foto:MS)

Desinformações indesejadas
27 de janeiro de 2006

Apesar da popularidade dos anticoncepcionais, muitos não conhecem as contra-indicações de cada método nem a forma correta de utilizá-los, indica estudo feito na Universidade Federal de Pelotas

Desinformações indesejadas

Apesar da popularidade dos anticoncepcionais, muitos não conhecem as contra-indicações de cada método nem a forma correta de utilizá-los, indica estudo feito na Universidade Federal de Pelotas

27 de janeiro de 2006

Pesquisa mostra que o conhecimento dos jovens sobre os métodos anticoncepcionais é limitado
(foto:MS)

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - O número de pessoas que utilizam métodos anticoncepcionais é elevado, porém é muito freqüente seu uso incorreto e inadequado. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa feita com 3.542 indivíduos de 15 anos ou mais, residentes na zona urbana de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

A idéia do trabalho de Vera Maria Paniz, Anaclaudia Fassa e Marcelo Cozzensa, professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foi avaliar o conhecimento sobre os métodos anticoncepcionais utilizados por meio de uma pontuação entre 0 a 10 obtida de acordo com as respostas a um questionário.

Os resultados foram publicados no artigo Conhecimento sobre anticoncepcionais em uma população de 15 anos ou mais de uma cidade do Sul do Brasil, na revista Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz.

Apesar da alta prevalência do uso de anticoncepcionais ao longo da vida (75,3%), os autores verificaram ser limitado o conhecimento a respeito dos métodos, além da escassez de informações sobre temas como ciclo menstrual ou período fértil da mulher.

A média de conhecimento foi de 4,65 pontos, sendo 5,02 para as mulheres e 4,18 para os homens. "Isso significa que o conhecimento sobre os métodos mais utilizados, como a pílula e o preservativo, está muito aquém do que deveria ser. O ideal seria que essa média ficasse mais próxima de nove ou dez", disse Vera Maria à Agência FAPESP.

Entre as mulheres consultadas, o método mais utilizado foi o do anticoncepcional oral (38%), enquanto os homens preferiram o preservativo (49%).

Uma das consequências da falta de informação encontradas está a da gravidez indesejada, observada em 16,2% das mulheres. "A pessoa pensa estar protegida, mas está apenas utilizando o método de forma inadequada", aponta Vera Maria.

Segundo a pesquisadora, boa parte dos casos de gravidez indesejada ocorreu pelo uso incorreto dos métodos. "A pesquisa mostrou que 5,8% desses casos ocorreram entre mulheres que usavam algum tipo de anticoncepcional", conta.

Um dos principais problemas relacionados ao uso da pílula foi a falta de conhecimento sobre o procedimento correto ao se esquecer de tomar um comprimido. Cerca de 70% das mulheres não souberam dizer corretamente o que fazer em tal situação – tomar logo que lembrar, mesmo que isso signifique tomar duas no mesmo dia. Também é aconselhável associar outro método, como a camisinha, até o fim da cartela.

Quanto ao preservativo masculino, a pesquisa feita em Pelotas verificou outro problema: 20% dos homens não sabiam como utilizar corretamente o método.

O estudo levantou que quanto menor é a escolaridade do indivíduo, menor também é seu conhecimento sobre saúde reprodutiva. "Muitas vezes o ensinamento é até passado, mas se o nível de entendimento do indivíduo for pequeno, ele não tem como digerir a informação. Por conta disso, a escolaridade é um item prioritário para qualquer escolha contraceptiva", afirma Vera Maria.

Para ler o artigo Conhecimento sobre anticoncepcionais em uma população de 15 anos ou mais de uma cidade do Sul do Brasil, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.


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