Fêmeas de morcegos estudadas na Europa dividem seus parceiros com as mães e as avós
Artigo na Nature revela comportamento inédito em uma espécie de morcego. Em busca da evolução social, as fêmeas desenvolveram duas posturas: a maioria é fiel aos parceiros; outras dividem os machos com mães e avós
Artigo na Nature revela comportamento inédito em uma espécie de morcego. Em busca da evolução social, as fêmeas desenvolveram duas posturas: a maioria é fiel aos parceiros; outras dividem os machos com mães e avós
Fêmeas de morcegos estudadas na Europa dividem seus parceiros com as mães e as avós
Neste contexto, o exemplo que vem de um grupo de morcegos-de-ferradura-grande, que habita a Grã-Bretanha, é interessante do ponto de vista científico. A impressão é que tanto a coesão social como a baixa existência de descendentes consangüíneos foram resolvidas. E isso de uma forma bastante inusitada para os padrões comportamentais humanos.
Pesquisadores das universidades de Bristol e de Londres estudaram durante mais de dez anos o comportamento do grupo de morcegos, formado por 452 espécimes. Várias análises genéticas foram feitas durante o estudo. Os resultados de todas elas estão publicadas na edição desta quinta-feira (15/9) da revista Nature, em texto assinado por Stephen Rossiter e colaboradores.
A revelação é inédita. A maior parte das fêmeas do grupo (77,7%), que procriaram todos os anos mais de três vezes seguidas, era fiel. As demais dividiram seus parceiros em família, com mães, avós e irmãs. Os pesquisadores identificaram 20 grupos dessas fêmeas promíscuas, cada um formado por dois a cinco indivíduos.
Esse domínio da linhagem matrilinear, que domina os grupos de descendentes entre os morcegos, não evita o surgimento de indivíduos consangüíneos, mas diminui a possibilidade de que isso ocorra, dizem os cientistas. A diversidade genética, nesse sistema, é maior quando comparado com os modelos clássicos de cruzamento entre parentes.
Para os autores, esse comportamento complexo dos morcegos ajuda a entender o surgimento de proles com diversidade genética e a formação de grupos com forte coesão social. O trabalho também abre uma nova rota para explicar como o papel das fêmeas pode influenciar na evolução social de uma espécie, acreditam os cientistas.
Mais informações: www.nature.com
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