A ministra do Meio Ambiente Marina Silva, existe uma ausência de estado na Amazônia(foto: E. Geraque)

Da teoria à prática
28 de julho de 2004

Os discursos políticos e científicos sobre a Amazônia estão convergindo. O grande desafio agora, segundo pesquisadores do LBA e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, reunidos em Brasília, é aplicar o conhecimento gerado no cotidiano da região

Da teoria à prática

Os discursos políticos e científicos sobre a Amazônia estão convergindo. O grande desafio agora, segundo pesquisadores do LBA e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, reunidos em Brasília, é aplicar o conhecimento gerado no cotidiano da região

28 de julho de 2004

A ministra do Meio Ambiente Marina Silva, existe uma ausência de estado na Amazônia(foto: E. Geraque)

 

Por Eduardo Geraque, de Brasília

Agência FAPESP - Não houve discordância. O discurso da ministra do Meio Ambiente Marina Silva na manhã de terça-feira (27/7), na abertura da 3ª Conferência Científica do LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), em Brasília, não apenas encontrou eco na comunidade científica como até entre as organizações não-governamentais.

"Existe uma ausência de estado na Amazônia. Por isso, entre outros pontos, precisamos agir na organização territorial do espaço da região", disse Marina. Segundo ela, os problemas relacionados com o desmatamento da floresta, e também com as queimadas, são gravíssimos, " e precisam ser combatidos a qualquer custo".

Dentro da visão sistêmica e abrangente que a ministra tem das políticas públicas para a região está o estreitamento das relações com a comunidade científica e, mais especificamente, com os pesquisadores do LBA.

"Temos conhecimentos científicos suficientes para ajudar no desenvolvimento de políticas públicas para a Amazônia, mas é claro que nós, como cientistas, ainda temos que aprender como fazer isso", disse Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) e diretor científico do LBA, à Agência FAPESP.

No último dia 23, dentro das atividades que antecederam a conferência científica, foi realizado um primeiro encontro entre pesquisadores e políticos de diversas esferas de governo. O objetivo principal foi a troca de informações para que novas ações possam ser implantadas no cotidiano amazônico. "O pontapé inicial foi positivo. A próprio ministra do Meio Ambiente disse que pretende fazer uma nova rodada de discussões em breve", revelou Nobre.

Mas, ao deixar os gabinetes e partir para o mundo real, os discursos do governo, da comunidade científica e das ONGs começam a se diferenciar. Enquanto Marina Silva afirmou que a pavimentação da estrada que liga Cuiabá e Santarém (BR-163), no coração da floresta, está sendo feito dentro dos princípios do Plano da Amazônia Sustentável, muitos ambientalistas torceram o nariz.

"Temos que criar condições objetivas para que o impacto seja o menor possível", disse Marina. Para o ministério, o asfaltamento da estrada é uma ação emergencial, que precisa ser feito para ajudar no desenvolvimento econômico da região.

De acordo com Nobre, o maior desafio em termos globais está posto: "Como fazer o desenvolvimento científico gerar políticas públicas, melhorando a qualidade de vida do povo amazônico e preservando o meio ambiente? Essa é uma pergunta que temos que responder."

Se nada for feito, ou se a situação piorar, os cenários previstos pelos cientistas, e apresentados ontem no primeiro dia da conferência, é certo. "Se levarmos em conta apenas o aquecimento global, corremos o risco de termos até 60% da Amazônia savanizada em 50 a 100 anos", afirmou Nobre.


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