Cultura do coco em expansão

Embrapa vai instalar banco internacional de germoplasma do coco em Itaporanga D’Ajuda (SE). Objetivo é aumentar a participação da América Latina no mercado internacional, hoje dominado pelos asiáticos

30 de janeiro de 2006
Cultura do coco em expansão

Embrapa vai instalar banco internacional de germoplasma do coco em Itaporanga D’Ajuda (SE). Objetivo é aumentar a participação da América Latina no mercado internacional, hoje dominado pelos asiáticos

30 de janeiro de 2006

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - A Embrapa Tabuleiros Costeiros, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Aracaju, está a um passo de implementar um Banco Internacional de Germoplasma (BIG) de Coco. A iniciativa será feita no município de Itaporanga D’Ajuda, também no Sergipe, em uma área de 100 hectares.

O coordenador do Coconut Genetic Resources Network (Cogent), Pons Batugal, esteve no Brasil no dia 19 para articular um convênio de cooperação técnica com a Embrapa. A Cogent é uma rede internacional de germoplasma de coco vinculada ao Instituto Internacional de Recursos Genéticos de Plantas (Ipgri) e à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

"Traçamos um plano de trabalho e discutimos assuntos como aporte de recursos e intercâmbio de pesquisadores. Os valores a serem aplicados no BIG pelas duas instituições ainda estão em negociação", disse Evandro Tupinambá, supervisor do Campo Experimental de Itaporanga, à Agência FAPESP. "Só dependemos da assinatura do convênio, que deverá ocorrer no início de fevereiro."

A Embrapa mantém em Sergipe, desde 1984, um banco nacional de germoplasma. A nova parceria com instituições internacionais permitirá a transformação do espaço. Os estudos deverão passar de 19 variedades de coco para mais de 100, após a instalação do BIG. "Uma de nossas preocupações é ter materiais genéticos disponíveis caso surjam doenças na cultura do coqueiro", conta Tupinambá.

A expectativa é que, com a ampliação da variabilidade genética, seja possível desenvolver estudos que resultem na geração de novos híbridos, no aumento da produção e na agregação de valor aos produtos derivados, como, por exemplo, a produção de açúcar e biodiesel, além de óleo virgem, que apresenta baixo teor de colesterol. "Alguns países já estão bem adiantados na produção de diesel a partir de óleo de coco e o Brasil não pode ficar para trás", afirma Tupinambá.

Outro desafio é permitir que o Campo Experimental de Itaporanga fomente a cultura do coqueiro na América Latina e Caribe, de modo a aumentar a participação dos países dessas regiões no mercado internacional, hoje dominado pelos asiáticos. Segundo Tupinambá, os Estados Unidos e o Canadá são os maiores mercados consumidores de produtos derivados do coco.

O convênio prevê ainda o intercâmbio científico entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros, provenientes de outros quatro bancos internacionais de germoplasma de coco implantados em regiões estratégicas: Índia, Costa do Marfim, Indonésia e Papua-Nova Guiné. O campo experimental brasileiro será o quinto da lista.


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