José Mindlin é eleito membro da Academia Brasileira de Letras com 33 votos, 14 a mais dos que os 19 que seriam necessários para ser eleito (foto: Thiago Romero)
José Mindlin é eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Bibliófilo paulista, que fez parte do Conselho Superior da FAPESP de 1973 a 1974, teve 33 votos, 14 a mais do que os 19 que seriam necessários para ser eleito
José Mindlin é eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Bibliófilo paulista, que fez parte do Conselho Superior da FAPESP de 1973 a 1974, teve 33 votos, 14 a mais do que os 19 que seriam necessários para ser eleito
José Mindlin é eleito membro da Academia Brasileira de Letras com 33 votos, 14 a mais dos que os 19 que seriam necessários para ser eleito (foto: Thiago Romero)
Agência FAPESP - José Ephim Mindlin é o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras. O bibliófilo paulista foi eleito na terça-feira (20/6), no Rio de Janeiro, e sucede o romancista e historiador Josué Montello, que morreu em março aos 89 anos.
Mindlin teve 33 votos, 14 a mais do que os 19 (maioria absoluta) que seriam necessários para ser eleito. Um voto em branco e duas abstenções foram registrados. Além disso, a presença de 27 acadêmicos à votação secreta estabeleceu um recorde de presenças em sessões destinadas à eleição de novos membros da entidade.
"Fui muito amigo do Carlos Drummond de Andrade e ele costumava dizer que todos temos nossas vaidadezinhas. E, naturalmente, esse reconhecimento espicaça um pouco de vaidade dentro de mim", disse Mindlin à Agência FAPESP. "Josué Montello era um excelente romancista da cultura maranhense. Foi membro da academia durante 52 anos e estou muito honrado em sucedê-lo."
Mindlin, que está prestes a completar 92 anos, ocupará a cadeira 29 – os dígitos da idade ao contrário. "Talvez isso tenha alguma simbologia, apesar de não conhecer muito esse campo. De qualquer forma, é interessante, pois sou o mais novo acadêmico e também o mais velho", brinca.
A cadeira 29 foi fundada por Artur Azevedo, que escolheu como patrono Martins Pena. Foi ocupada sucessivamente por Vicente de Carvalho, Cláudio de Sousa e Josué Montello. A Academia Brasileira de Letras é composta por 40 membros efetivos e perpétuos e 20 sócios correspondentes estrangeiros. Áureo Bringel de Mello, Júlio Romão e Nelson Valente, que não foram votados, concorreram com Mindlin.
A eleição foi anunciada pelo presidente da ABL, Marcos Vilaça. "O Brasil deve muito a Mindlin, não apenas por seu perfil de notável bibliófilo, mas também pelo empresário, formidável combatente pelas causas libertárias. Ele é o emblema humano do livro", destacou Vilaça. "O amor que tenho aos livros é uma loucura mansa, que não faz mal a ninguém e traz muita alegria", disse Mindlin.
Em maio, o bibliófilo tornou pública parte de sua Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, considerado o mais valioso acervo bibliográfico de caráter privado no Brasil com mais de 40 mil títulos. Foram doados à Universidade de São Paulo (USP) cerca de 18 mil títulos, entre livros e documentos sobre a história artística, literária, científica e cultural do país.
O acervo será colocado em edifício a ser construído em terreno ao lado do prédio da reitoria da USP. Mindlin é autor de três livros: Uma vida entre livros: reencontros com o tempo (1997), Memórias esparsas de uma biblioteca (2004) e Destaques da Biblioteca InDisciplinada de Guita e José Mindlin (2006).
Formado pela Faculdade de Direito da USP, Mindlin foi presidente da Metal Leve, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e secretário estadual da Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Foi membro do Conselho Superior da FAPESP de 1973 a 1974 e, em 2005, recebeu da USP o título de doutor honoris causa.
Mais informações: www.academia.org.br.
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