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Compreensão singular

Desenhos sempre foram muito utilizados pelos naturalistas na biologia, muito antes da chegada da fotografia. Cristina Bruzzo, da Unesp, discute se não seria o caso de admitir que as imagens podem modificar a maneira de conhecer o mundo

Compreensão singular
Desenhos sempre foram muito utilizados pelos naturalistas na biologia, muito antes da chegada da fotografia (Ganso canadense, ilust. da National Audubon Society)
Agência FAPESP - A reprodução da natureza por meio de desenhos e ilustrações, mesmo do ponto de vista científico, nem sempre esteve desprovida de paixões. Vários naturalistas dos séculos 18 e 19 costumavam interpretar, por exemplo, um determinado pássaro a ser representado. Se a precisão científica podia ser criticada, a vivacidade do desenho também ajudou a passar adiante importantes informações.

Com a chegada da fotografia e do cinema muitas possibilidades se abriram. Apesar disso, o desenho continuava em anexo, servindo apenas como um meio de completar ou reforçar o que estivesse dito em palavras. Entre as diversas áreas do conhecimento, provavelmente a biologia é a que mais recorreu ao mundo visual para explicitar seus conceitos, sejam antigos ou novos.

A partir desse contexto, Cristina Bruzzo, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), levanta uma discussão importante no artigo Biologia: educação e imagens, publicado no número 89 da revista Educação e Sociedade.

"Se existe uma articulação entre imagem e conhecimento na educação em biologia, talvez tenhamos que admitir que as imagens possam modificar a maneira de conhecer uma determinada área científica", escreve Cristina.

Para a pesquisadora, é preciso reconhecer que a imagem pode ter uma influência importante na prática e na reflexão educativas. "O fato de o estudo da natureza expressar-se por meio de imagens possivelmente configura a organização do conhecimento na biologia."

Uma das hipóteses propostas no artigo é de que as imagens na biologia podem até, em alguns casos, influir na forma de se pensar o mundo natural, muito mais do que o próprio texto. "É possível que nas imagens possamos encontrar aspectos que o discurso escrito habitualmente não traz?", questiona Cristina.

Para ler o artigo na íntegra, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.


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