A pesquisa, feita por cientistas da Universidade Johns Hopkins, do Centro Politécnico Worcester e da Universidade do Arkansas, foi feita a partir da comparação de dentes fossilizados do Australopithecus africanus e do Paranthropus robustus.
Com a análise em computador das imagens obtidas por microscopia eletrônica, os pesquisadores confirmaram evidências anteriores de que o A. africanus preferia folhas e o P. robustus alimentos mais duros. Mas o estudo também verificou que a dieta dos dois era variada. Quando não havia o que mais gostavam, comiam o que estava disponível.
"Os resultados mostram que os primeiros humanos evoluíram e alteraram suas dietas de acordo com mudanças, seja de estações ou de outro tipo, de modo a poderem sobreviver", disse Mark Teaford, da Johns Hopkins. O estudo, que inclui uma nova e mais eficaz abordagem para o exame do desgaste dentário, está publicado na edição atual da revista Nature.
"O estudo da dieta das espécies pré-históricas sempre esteve sujeito a limitações, por ser muito complexo, demandar muito tempo e estar sujeito a abordagens subjetivas na análise dentária. Ter uma tecnologia confiável e eficiente representa um grande salto", afirmou Teaford.
A tecnologia inclui um software especialmente desenvolvido para fazer o que chamaram de "análise fractal em escala sensível", ou seja, o exame detalhado das superfícies fósseis por meio de imagens feitas por um microscópio e reproduzidas em três dimensões no computador.
O artigo Dental microwear texture analysis shows within-species diet variability in fossil hominins, de Robert S. Scott, Peter S. Ungar, Torbjorn S. Bergstrom, Christopher A. Brown, Frederick E. Grine, Mark F. Teaford e Alan Walker, pode ser lido no site da Nature, em www.nature.com
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