Tema será abordado em Escola São Paulo de Ciência Avançada promovida pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em São Pedro (foto:Wikimedia Commons)

Ciência pode ajudar a reduzir impacto de fertilizantes nitrogenados no meio ambiente
18 de abril de 2016

Tema será abordado em Escola São Paulo de Ciência Avançada promovida pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em São Pedro

Ciência pode ajudar a reduzir impacto de fertilizantes nitrogenados no meio ambiente

Tema será abordado em Escola São Paulo de Ciência Avançada promovida pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em São Pedro

18 de abril de 2016

Tema será abordado em Escola São Paulo de Ciência Avançada promovida pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, em São Pedro (foto:Wikimedia Commons)

 

Diego Freire | Agência FAPESP – Os fertilizantes nitrogenados, que contêm o elemento nitrogênio num formato assimilável pelos vegetais, são importantes para a formação das proteínas indispensáveis à saúde do caule e da raiz das plantas, mas seu uso indiscriminado aumenta as emissões de óxido nitroso, um potente causador do efeito estufa. O equilíbrio dessa relação será um dos temas estudados na School of Advanced Science on nitrogen cycling, environmental sustainability and climate change, que o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e o Inter-American Institute for Global Change Research realizam de 31 de julho a 10 de agosto, em São Pedro (SP).

O evento, que tem apoio da FAPESP na modalidade Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), é promovido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Universidade de Brasília (UnB) e a International Nitrogen Initiative (INI) e evidencia o importante papel que o nitrogênio exerce na vida no planeta, especialmente na produção de alimentos.

“Entre os diversos setores para os quais o nitrogênio é importante está a agricultura, que é também o que mais interfere no ciclo do elemento na Terra em função do amplo uso de fertilizantes. Mas, como uma verdadeira commodity, o nitrogênio é ofertado de maneira desigual entre países ricos e pobres, sendo usado em grandes quantidades por alguns, causando prejuízos ao meio ambiente, e, por outro lado, estando escasso em outras partes do mundo, atrasando o desenvolvimento da produção de alimentos de diversas nações. A ciência por trás de todo esse processo e as soluções científicas para o uso sustentável do nitrogênio serão abordadas ao longo da programação da ESPCA”, disse Luiz Antonio Martinelli, coordenador do evento.

Embora abundante no meio ambiente em sua forma molecular (N2), compondo 78% do ar atmosférico, o nitrogênio não é diretamente absorvido pelas plantas, que precisam da ajuda de bactérias para tal. Elas transformam o N2 da atmosfera em nitrogênio reativo, permitindo que ele seja utilizado pelos vegetais. Mas o excesso do elemento provoca, além de danos à própria planta, problemas de contaminação do solo e dos ecossistemas aquáticos e aumenta a emissão de óxido nitroso, o que agrava o efeito estufa.

“Portanto, o desafio consiste em fornecer nitrogênio de uma maneira que aumente e sustente a produção de alimentos sem danos para o meio ambiente. Isso é especialmente importante porque o uso inadequado de fertilizantes nitrogenados contribui para a intensificação das mudanças climáticas e traz prejuízos diretos às plantas”, explica Martinelli.

Quando Ppesente em quantidades que vão além da capacidade de assimilação das plantas, o nitrogênio fixado no solo pode limitar seu crescimento, prejudicando toda a cultura. Uma alternativa ao uso excessivo de fertilizantes nitrogenados, diz o pesquisador, é a rotação de culturas, “alternando-se plantas fixadoras de nitrogênio – aquelas que possuem bactérias e outros organismos fixadores associados às suas raízes, como as leguminosas (feijão e soja, por exemplo) – com outras que não têm essa capacidade natural”.

A rotatividade favorece a fixação de nitrogênio em quantidades mais seguras que a utilização dos fertilizantes, fornecendo nutrientes compatíveis com a capacidade de assimilação das plantas, beneficiando seu desenvolvimento e reduzindo a contaminação do solo e da água.

Escola

O objetivo da ESPCA é proporcionar a alunos de pós-graduação do Brasil e de outros países conhecimentos sobre o ciclo do nitrogênio e tópicos relacionados à sua disponibilidade, aos processos naturais e antrópicos e a questões socioeconômicas e de políticas públicas para o setor.

Entre os temas abordados pela programação estão os desafios e oportunidades relacionados ao ciclo do nitrogênio, tratando da sua fixação biológica, dos seus ciclos geoquímicos e da modificação humana que tem sofrido; o uso do nitrogênio e suas consequências ambientais (pegada de nitrogênio, o uso futuro de fertilizantes nitrogenados, emissões de gases do efeito de estufa associadas ao uso de N, efeitos cascata); e o ciclo do nitrogênio sob diferentes estresses climáticos, ilustrados pelos biomas brasileiros da Amazônia, Cerrado e Caatinga.

Os participantes serão selecionados de acordo com o mérito da sua atuação acadêmica na área e poderão ter suas despesas de viagem e hospedagem custeadas. Mais informações sobre como se inscrever na seleção estão disponíveis em www.iai.int/?p=11889. As inscrições serão encerradas no dia 30 de maio, às 14h.
 

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.