Ciclo ILP-FAPESP discute tecnologias quânticas emergentes | AGÊNCIA FAPESP

Ciclo ILP-FAPESP discute tecnologias quânticas emergentes Em evento on-line na próxima segunda-feira, palestrantes vão tratar de temas como novos métodos criptográficos, sensores ultraprecisos e computadores quânticos (imagem: Gerd Altmann/Pixabay)

Ciclo ILP-FAPESP discute tecnologias quânticas emergentes

30 de abril de 2021

Agência FAPESP – O Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação reunirá na próxima segunda-feira (03/05) quatro cientistas que se dedicam às pesquisas na área das tecnologias quânticas. Diversos materiais e técnicas inovadoras têm origem no estudo de fenômenos quânticos e o tema está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas e das atividades econômicas e sociais. Sistemas de comunicação baseados em criptografia quântica e sensores ultraprecisos serão a base de novas tecnologias, com forte impacto em setores como comunicações, agricultura e saúde. Empresas de tecnologia dedicam-se a desenvolver computadores quânticos, máquinas que podem acelerar cálculos que hoje levam milhares de anos.

O encontro virtual, que acontece das 15h às 17h, será transmitido pelo canal da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) no YouTube. O evento integra o Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação, parceria que tem por objetivo divulgar os resultados das pesquisas científicas financiadas com recursos públicos à sociedade em geral e aos legisladores e gestores públicos em particular.

As inscrições devem ser feitas pela página do evento www.al.sp.gov.br/ilp/cursos-eventos/detalheAtividade.jsp?id=7025.

Luiz Davidovich, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), realiza pesquisas com ênfase em óptica quântica e informação quântica. Ele pretende situar a segunda onda das tecnologias quânticas e apresentar iniciativas nesse campo ao redor do mundo.

A professora do Departamento de Física Matemática do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) Barbara Lopes Amaral vai destrinchar como funciona um computador quântico e se dedicará a um tema de grande interesse: a criptografia. Uma das aplicações mais conhecidas em comunicação quântica são os chamados protocolos de distribuição de chave quântica, que permitem o estabelecimento de chaves criptográficas para codificar e decodificar a informação trocada entre duas ou mais partes utilizando sistemas quânticos. “As vantagens da criptografia quântica em relação a outros métodos criptográficos são várias: não necessita de comunicações secretas prévias, permite a detecção de intrusos e é segura mesmo que o intruso possua um poder computacional ilimitado”, diz. Por esse motivo, pesquisas em comunicação quântica têm atraído o interesse de governos, forças armadas e empresas, que investem na construção de redes de comunicação quântica que já se tornaram realidade em várias partes do mundo.

Gustavo Wiederhecker, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembra que a capacidade de sentir e reagir aos estímulos do ambiente é fundamental na evolução social e econômica da sociedade. Durante a palestra, ele apresentará exemplos de dispositivos quânticos que poderão revolucionar a capacidade de previsão e diagnóstico. “Os sensores modernos permitiram-nos enxergar além dos cinco sentidos, explorando a convergência entre diferentes tecnologias, tais como eletrônica, óptica e micromecânica. Os frutos dessa sinestesia se refletem nas tecnologias de comunicação, diagnóstico médico, agricultura e navegação”, diz. “Contudo, em alguns casos, é iminente o cruzamento da fronteira tênue que separa as interpretações clássica e quântica do mundo.”

Para o pesquisador Paulo Nussenzveig, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e membro da Coordenação de Área de Física da FAPESP, não há uma iniciativa coordenada de promoção dessas tecnologias no Brasil, embora exista competência científica, condições materiais e oportunidades econômicas para seu desenvolvimento. Ele defende que o Estado de São Paulo saia na frente e formule um programa estratégico voltado inicialmente para sensores quânticos para aplicações na agricultura, na saúde e nas comunicações quânticas. Nussenzveig apresentará brevemente uma proposta nesse sentido.
 

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