Governo chinês anuncia que vai elevar os gastos em C&T progressivamente até 2020, quando US$ 112 bilhões deverão ser investidos no setor

China quer ampliar interesse pela ciência
11 de abril de 2006

Plano do país para erradicar a pobreza até 2050 considera como estratégico o investimento em C&T e o estímulo ao conhecimento científico da população

China quer ampliar interesse pela ciência

Plano do país para erradicar a pobreza até 2050 considera como estratégico o investimento em C&T e o estímulo ao conhecimento científico da população

11 de abril de 2006

Governo chinês anuncia que vai elevar os gastos em C&T progressivamente até 2020, quando US$ 112 bilhões deverão ser investidos no setor

 

Agência FAPESP - "Deixe a China dormir, pois quando ela acordar irá estremecer o mundo." A frase, que teria sido dita há dois séculos por Napoleão, reflete bem um processo de despertar que começou discretamente, há quase 30 anos. Mas as reformas econômicas que tomaram conta do país desde então têm, especialmente nos últimos dez anos, sinalizado com grande ênfase aos demais países que a milenar nação de Confúcio, Mao e Deng não está para brincadeira.

Com a economia crescendo a uma média assombrosa de 9,4% ao ano desde 1978 – mais do que a de qualquer outro país –, os chineses olham para o futuro querendo muito mais. Para tanto, uma área considerada estratégica é ciência e tecnologia.

Em fevereiro, o governo chinês divulgou uma série de políticas para promover o contínuo crescimento econômico e tirar a população da pobreza até 2050. O primeiro passo será elevar os gastos em ciência e tecnologia de 1,3% para 2,5% do produto interno bruto até 2020, ano em que o investimento no setor deverá chegar a US$ 112 bilhões.

Foram definidas como prioritárias as áreas de energia, saúde, agricultura, biotecnologia e nanotecnologia. Segundo o Centro de Pesquisas Nacionais da China, 60% do crescimento do país deverá estar baseado em C&T em 2020, quando se estima que a dependência de tecnologias estrangeiras cairá dos 50% atuais para 30%.

Para que o ambicioso plano dê certo, o governo chinês incluiu como prioridade estratégica o estímulo ao interesse científico. Segundo a agência de notícias SciDev.Net, o plano tem dois objetivos principais: ampliar o potencial científico e o papel que a ciência tem no desenvolvimento do país e equipar a população com a capacidade de aplicar o conhecimento científico e tecnológico no seu dia-a-dia.

A China quer que, em 2010, o conhecimento científico da população atinja o nível verificado em países industrializados na década de 1980. Dez anos depois, a idéia é chegar aos níveis de hoje dos mesmos países.

Pesquisa feita em 2003 mostrou que apenas 2% das 8,5 mil pessoas entrevistadas tinham um conhecimento básico de ciência e tecnologia. Levantamento similar feito nos Estados Unidos em 2004, pela National Science Foundation (NSF), apontou número próximo a 20%.

Crianças, comunidades rurais, trabalhadores urbanos e funcionários do governo são os grupos escolhidos como prioritários para o plano de estímulo ao conhecimento científico chinês.


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