Os resultados, de acordo com os autores do estudo publicado na edição de 27 de fevereiro da revista Neurology, da Academia Norte-Americana de Neurologia, podem levar a uma reavaliação do impacto da idade em determinadas ocupações.
O estudo é publicado em momento oportuno, uma vez que a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos discute uma proposta de ampliar a idade de aposentadoria obrigatória para pilotos comerciais dos atuais 60 para 65 anos.
Os pesquisadores, da Universidade de Stanford e do Centro de Pesquisa Clínica em Envelhecimento, examinaram durante três anos 118 pilotos não comerciais com idades entre 40 e 69 anos. Todos os participantes voavam regularmente, tinham entre 300 e 15 mil horas de vôo e certificado médico da FAA.
Os voluntários foram testados em itens como comunicação, leitura de instrumentos para detectar emergências, pouso sem instrumentos e condução para evitar zonas de tráfego.
A pesquisa concluiu que, enquanto os pilotos com mais de 60 anos inicialmente apresentaram resultados inferiores nos testes, eles tiveram menor declínio durante o período analisado. Com o tempo, os mais velhos apresentaram ainda maior evolução no item evitar tráfego. A maior experiência também esteve relacionada com o menor declínio no desempenho das atividades.
Segundo os pesquisadores, pilotos mais experientes podem manter o desempenho com o tempo devido a um mecanismo de preservação de conhecimentos de tarefas específicas, conhecido como inteligência cristalizada, semelhante ao que ocorre em áreas como música ou xadrez.
"Os resultados mostram as vantagens da experiência e do treinamento nos adultos mais velhos. Isso tem implicações mais abrangentes para o tema de envelhecimento no trabalho do que apenas no setor de aviação", disse Joy Taylor, do Centro de Pesquisa Clínica em Envelhecimento, na Califórnia, e principal autor do estudo.
O artigo Pilot age and expertise predict flight simulator performance: A 3-year longitudinal study , de Joy L. Taylor, Quinn Kennedy, Art Noda e Jerome A. Yesavage, pode ser lido por assinantes da Neurology em www.neurology.org.
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