Agência FAPESP - Inspirados em 1905, ano que entrou para a história como o período miraculoso de Albert Einstein, os físicos brasileiros vão dar início, nesta segunda-feira (24/1), às comemorações nacionais do Ano Mundial da Física. Além de marcar o centenário de lançamento dos artigos que revolucionaram a ciência, a oportunidade será usada para discutir o futuro.
"Durante o Simpósio Nacional do Ensino de Física teremos a presença de Walter Kohn, John Stachel e Helge Kragh" disse o físico Paulo de Faria Borges à Agência FAPESP. O pesquisador do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet/RJ) é o coordenador geral do evento, que será encerrado no dia 28.
Enquanto Walter Kohn, do Instituto de Física Teórica da Universidade da Califórnia, ganhou o Nobel de Química em 1998, Kragh, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, publicou vários livros sobre a história da ciência nos últimos 15 anos. O último deles, de 1999, tem o título Quantum Generations. A history of physics in the twentieth century. A obra é da Princeton University Press.
O nome de John Stachel ganha destaque no ano que se comemoram os cem anos dos cincos trabalhos históricos de Einstein (1879-1955), que acabaram pavimentando o caminho para o surgimento da Teoria Geral da Relatividade. O diretor do Centro de Estudos sobre Einstein, da Universidade de Boston, é o autor – além de vários outros trabalhos do gênero - de um dos capítulos do suplemento Year of Physics, a celebration, publicado pela revista Nature nesta sexta (21/1).
Um dos mais importantes trabalhos do físico norte-americano havia chegado ao Brasil em 2001, pela Editora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O famoso livro O ano miraculoso de Einstein – cinco artigos que mudaram a face da física, organizado por Stachel, deverá ganhar uma nova edição nos Estados Unidos agora em maio.
Para o pesquisador da Universidade de Boston, a grande revolução do trabalho de Einstein foi incorporar, nas discussões científicas da época, o conceito da Teoria do Quantum, formulada por Max Planck (1858-1947) em 1900. "Einstein, profundo conhecedor da natureza da radiação térmica, chegou à conclusão que nem a mecânica clássica, nem a teoria eletrodinâmica de Maxwell poderiam mais sobreviver intactas", escreveu Stachel na Nature desta semana.
O congresso carioca que abre o Ano Mundial da Física no Brasil - no último dia 13 a Organização das Nações Unidas abriu a série internacional em Paris - não se resume às presenças dos destaques internacionais. "Diversos especialistas em física e no ensino dessa disciplina vão discutir esses dois assuntos a partir das perspectivas atuais. As importantes questões legais também estarão na pauta", explica Borges.
Segundo o coordenador do evento, além do simpósio do Rio, outros pelos menos dez congressos serão realizados ao longo do ano como parte das comemorações preparadas pela Sociedade Brasileira de Física para o Ano Mundial. A programação, que ainda não está fechada, pode ser vista no site www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/amf/eventos.asp.
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