Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil (foto: Carrapato-estrela - Tatiana Rozental/Fiocruz)

Carrapatos identificados
01 de junho de 2006

Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil. A obra mostra a distribuição geográfica de 49 espécies de pequenos artrópodes da região Neotropical

Carrapatos identificados

Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil. A obra mostra a distribuição geográfica de 49 espécies de pequenos artrópodes da região Neotropical

01 de junho de 2006

Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil (foto: Carrapato-estrela - Tatiana Rozental/Fiocruz)

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - Os pesquisadores calculam que existem em todo o mundo 870 espécies de carrapatos. Aproximadamente 200 delas estão distribuídas entre o sul do México e a América do Sul, na zona chamada pelos pesquisadores de Neotropical. No Brasil, já foram identificadas 61.

Desse universo, 49 espécies são consideradas as mais importantes em termos de saúde pública. E todas elas estão agora apresentadas no livro Carrapatos de importância médico-veterinária da região neotropical, que acaba de ser lançado pelo Instituto Butantan de São Paulo. Com dados sobre distribuição geográfica, técnicas de coleta, identificação e controle, a intenção da publicação é contribuir para o planejamento das ações de saúde pública na América Latina.

"Algumas doenças causadas por microrganismos transmitidos por carrapatos ao homem ainda são pouco conhecidas no Brasil. A Ehrlichiose e a doença de Lyme-símile são dois bons exemplos", disse Darci Moraes Barros-Battesti, pesquisadora do Instituto Butantan e uma das autoras do livro à Agência FAPESP.

Uma das incógnitas existentes hoje é sobre a bactéria causadora da Ehrlichiose humana no Brasil. "Esse guia servirá para que profissionais de saúde de todo o país possam compreender melhor essas zoonoses", afirma Darci.

Uma das doenças mais graves, também apresentada no livro, é a febre maculosa, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida ao homem pelo carrapato-estrela Amblyomma cajennense. "Se não for tratada corretamente, essa doença pode causar a morte do indivíduo. Por isso ela também precisa ser mais bem estudada."

A publicação, em 14 capítulos, está dividida em três partes. A primeira trata dos aspectos biológicos e características gerais das famílias de carrapatos, incluindo as chaves de identificação para gêneros e espécies. A segunda aborda a sanidade animal, transmissão, controle e vacinas. Questões sobre biologia molecular, prevenção de doenças e métodos de coleta são discutidas na terceira parte.

Outros dois autores assinam a obra: a bióloga Márcia Arzua, do Laboratório de Parasitologia do Museu de História Natural de Curitiba, e o médico veterinário Gervásio Bechara, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Jaboticabal. Mais de 20 pesquisadores de diversas instituições brasileiras e estrangeiras também colaboraram.

O livro terá distribuição restrita a centros de controle de zoonoses e vigilância epidemiológica, hospitais de pronto-atendimento, especialistas ligados a instituições públicas de saúde e bibliotecas de instituições de ensino em Medicina Veterinária e Zootecnia. A primeira tiragem de mil exemplares foi financiada pela União Européia.

Mais informações: dbattesti@butantan.gov.br


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