Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil (foto: Carrapato-estrela - Tatiana Rozental/Fiocruz)
Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil. A obra mostra a distribuição geográfica de 49 espécies de pequenos artrópodes da região Neotropical
Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil. A obra mostra a distribuição geográfica de 49 espécies de pequenos artrópodes da região Neotropical
Guia ilustrado lançado pelo Instituto Butantan vai ajudar no planejamento de ações de saúde pública no Brasil (foto: Carrapato-estrela - Tatiana Rozental/Fiocruz)
Agência FAPESP - Os pesquisadores calculam que existem em todo o mundo 870 espécies de carrapatos. Aproximadamente 200 delas estão distribuídas entre o sul do México e a América do Sul, na zona chamada pelos pesquisadores de Neotropical. No Brasil, já foram identificadas 61.
Desse universo, 49 espécies são consideradas as mais importantes em termos de saúde pública. E todas elas estão agora apresentadas no livro Carrapatos de importância médico-veterinária da região neotropical, que acaba de ser lançado pelo Instituto Butantan de São Paulo. Com dados sobre distribuição geográfica, técnicas de coleta, identificação e controle, a intenção da publicação é contribuir para o planejamento das ações de saúde pública na América Latina.
"Algumas doenças causadas por microrganismos transmitidos por carrapatos ao homem ainda são pouco conhecidas no Brasil. A Ehrlichiose e a doença de Lyme-símile são dois bons exemplos", disse Darci Moraes Barros-Battesti, pesquisadora do Instituto Butantan e uma das autoras do livro à Agência FAPESP.
Uma das incógnitas existentes hoje é sobre a bactéria causadora da Ehrlichiose humana no Brasil. "Esse guia servirá para que profissionais de saúde de todo o país possam compreender melhor essas zoonoses", afirma Darci.
Uma das doenças mais graves, também apresentada no livro, é a febre maculosa, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida ao homem pelo carrapato-estrela Amblyomma cajennense. "Se não for tratada corretamente, essa doença pode causar a morte do indivíduo. Por isso ela também precisa ser mais bem estudada."
A publicação, em 14 capítulos, está dividida em três partes. A primeira trata dos aspectos biológicos e características gerais das famílias de carrapatos, incluindo as chaves de identificação para gêneros e espécies. A segunda aborda a sanidade animal, transmissão, controle e vacinas. Questões sobre biologia molecular, prevenção de doenças e métodos de coleta são discutidas na terceira parte.
Outros dois autores assinam a obra: a bióloga Márcia Arzua, do Laboratório de Parasitologia do Museu de História Natural de Curitiba, e o médico veterinário Gervásio Bechara, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Jaboticabal. Mais de 20 pesquisadores de diversas instituições brasileiras e estrangeiras também colaboraram.
O livro terá distribuição restrita a centros de controle de zoonoses e vigilância epidemiológica, hospitais de pronto-atendimento, especialistas ligados a instituições públicas de saúde e bibliotecas de instituições de ensino em Medicina Veterinária e Zootecnia. A primeira tiragem de mil exemplares foi financiada pela União Européia.
Mais informações: dbattesti@butantan.gov.br
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