Projeto da Embrapa no delta do Parnaíba tenta manter a sustentabilidade das coletas do caranguejo-uça (foto: Jefferson Legat)

Caranguejos desperdiçados
26 de abril de 2006

Projeto da Embrapa Meio-Norte propõe mudanças na forma de captura, manuseio estocagem e transporte do caranguejo-uçá coletado no delta do rio Parnaíba, nos estados do Piauí e Maranhão. Taxa de mortalidade do animal coletado chega a ser de 60%

Caranguejos desperdiçados

Projeto da Embrapa Meio-Norte propõe mudanças na forma de captura, manuseio estocagem e transporte do caranguejo-uçá coletado no delta do rio Parnaíba, nos estados do Piauí e Maranhão. Taxa de mortalidade do animal coletado chega a ser de 60%

26 de abril de 2006

Projeto da Embrapa no delta do Parnaíba tenta manter a sustentabilidade das coletas do caranguejo-uça (foto: Jefferson Legat)

 

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - A coleta do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) é a principal atividade de pelo menos 4,5 mil pessoas que vivem nas proximidades do delta do rio Parnaíba, nos estados do Piauí e do Maranhão. Por ano, são capturados 20 milhões de unidades do crustáceo. Além da sobrepesca, que começa a ser identificada em alguns determinados pontos da costa, o que também vem preocupando os especialistas são as altas taxas de mortalidade do animal, que chegam a 60% do total capturado todos os meses.

"Além do número de catadores inexperientes ter aumentado muito nos últimos anos, devido à ausência de outras atividades para geração de renda, a captura e o manuseio do caranguejo na região são realizados da mesma maneira há décadas", disse Jefferson Legat, oceanólogo da Embrapa Meio-Norte, à Agência FAPESP.

O pesquisador está coordenando um projeto na região para tentar fazer com que atividade econômica relacionada com o caranguejo-uçá permaneça enquadrada na categoria sustentável. "Nossa proposta é conscientizar a população de que a captura pode ser reduzida sem afetar a cadeia produtiva, pois grande parte dos crustáceos extraídos não é consumido", explica.

As perdas identificadas no Nordeste do país ocorrem nas várias etapas do processo. Os problemas ocorrem desde a captura, passam pelo manuseio e vão até a estocagem e o transporte dos animais pelos catadores e distribuidores. É em todas essas fases que o projeto "Sustentabilidade do Extrativismo do Caranguejo-uçá", da Embrapa, pretende intervir.

A experiência piloto realizada na Cooperativa de Catadores de Caranguejo de Ilha Grande, no Piauí, já testou a eficiência dessa nova estrutura, que será apresentada em forma de cartilha pela Embrapa. "Com a nova proposta de captura, estocagem e transporte, que poderá ser implementada por qualquer produtor, conseguimos baixar a mortalidade de 60% para aproximadamente 5%", explica.

Segundo Legat, os caranguejos-uçá extraídos do delta do rio Parnaíba ainda não chegam a sofrer risco de extinção, apesar dos vários focos de sobrepesca já identificados. "Além de os animais serem coletados em tamanhos cada vez menores, hoje o catador trabalha muito mais para pegar a mesma quantidade de caranguejo de alguns anos atrás", alerta.

O Maranhão é o principal produtor de caranguejo-uçá na região Nordeste, com 1,8 mil toneladas. O Piauí aparece em segundo lugar no ranking, com 821 toneladas, e a Bahia em terceiro com 619 toneladas. Além dos estados do Piauí, Maranhão e Ceará, o caranguejo capturado no delta do Parnaíba abastece ainda as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. Em todos os lugares, o desafio da sustentabilidade está presente.


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