Caiu no prato é comida
26 de agosto de 2003

Pesquisa realizada na Inglaterra indica que o cérebro de um indivíduo com fome associa imagens de objetos não comestíveis com a vontade de comer. Segundo os cientistas, a falha nesse sistema pode ser uma das causas da obesidade

Caiu no prato é comida

Pesquisa realizada na Inglaterra indica que o cérebro de um indivíduo com fome associa imagens de objetos não comestíveis com a vontade de comer. Segundo os cientistas, a falha nesse sistema pode ser uma das causas da obesidade

26 de agosto de 2003

 

Agência FAPESP - Uma pesquisa recente indica que existe um pouco do "cão de Pavlov" em cada um de nós. A diferença é que, no lugar dos ossos utilizados pelo cientista russo, pesquisadores utilizaram guloseimas como sorvetes de bauninha e manteiga de amendoim, em testes com voluntários.

Cientistas do Instituto de Neurologia de Londres, na Inglaterra, descobriram que o cérebro humano associa imagens de objetos que não sejam alimentos com o desejo de comer. Da mesma forma que alguém pode ser estimulado a se alimentar, o cérebro tem a capacidade de relaxar as conexões quando a pessoa já comeu o suficiente. As conclusões foram publicadas na revista Science

O estudo foi desenvolvido com 13 voluntários em momentos em que estavam com fome. Inicialmente, os participantes passaram por um treinamento, em que observavam imagens abstratas associadas a cheiros de baunilha e de manteiga de amendoim. Ao mesmo tempo, suas atividades cerebrais eram monitoradas por um equipamento de ressonância magnética.

Os voluntários passaram a associar automaticamente determinadas imagens a um dos dois tipos de aroma. Em seguida, foram orientados a comer à vontade, parando antes de sentir o estômago empanturrado. Novamente com suas atividades cerebrais monitoradas, os participantes experimentavam diversas combinações de imagens com os dois cheiros.

Os pesquisadores observaram uma resposta inferior ao alimento que haviam acabado de ingerir, mas não ao outro, que continuava a produzir um sinal de fome. Os resultados sugerem que o cérebro possa frear o desejo por alguns tipos de comida, uma vez saciada a fome.

Segundo Jay Gottfried, um dos autores do estudo, uma falha no processo de identificação da saciedade pode fazer com que um indivíduo coma compulsivamente. O problema faria com que a pessoa continuasse associando estímulos externos, como imagens, aromas e sons, com a vontade de comer, levando à obesidade.

Da mesma forma, o uso de substâncias não comestíveis estaria relacionado ao condicionamento cerebral de interpretação de sinais, e os problemas em frear o sistema explicaria a dificuldade que viciados têm em controlar o consumo de drogas e álcool. Um pequeno estímulo seria suficiente para despertar a vontade e levar ao abuso.

A variação das atividades cerebrais também tem relação com a ansiedade, ou a sensação prévia de contentamento, de um indivíduo prestes a se alimentar. Segundo os pesquisadores ingleses, isso explica o muito comum surgimento repentino de desejos incontroláveis por determinados tipos de alimentos.

Os co-autores do estudo são John O´Doherty e Raymond J. Dolan.


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