Brasileiros e suíços se unem para estudar temas que vão de narrativas medievais a computadores quânticos | AGÊNCIA FAPESP

Brasileiros e suíços se unem para estudar temas que vão de narrativas medievais a computadores quânticos Projetos aprovados em edital lançado por FAPESP e Fundação Nacional de Ciência da Suíça em 2020 também abordam assuntos como exportações e genoma bovino. Uma segunda rodada para avaliação de propostas em todas as áreas do conhecimento está aberta (foto: Thomas Quine/Wikimedia Commons)

Brasileiros e suíços se unem para estudar temas que vão de narrativas medievais a computadores quânticos

28 de outubro de 2021

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – No período medieval, circulavam pelas igrejas e praças das cidades ibéricas uma infinidade de fábulas, sermões e outras narrativas exemplares. É o caso da famosa A cigarra e a formiga, de Esopo, e de tantas outras histórias que abordavam virtudes e vícios com o objetivo final de transmitir uma moral.

Séculos depois, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colaboradores da Universidade de Friburgo, na Suíça, vão analisar o papel moralizante das histórias na exemplificação de virtudes e pecados. O grupo pretende mapear essas pequenas histórias que tinham por finalidade transmitir uma lição para que as pessoas se identificassem com a narrativa definida como o ideal ou refutassem a prática recriminada.

“Nosso propósito não é descrever obra por obra, mas mapeá-las para mostrar quais eram as semelhanças entre essas curtas narrativas. Com isso, vamos entender em que medida elas influenciaram a formação moral cristã em solo Ibérico. Portanto, vamos cruzar essas narrativas a fim de compreender quais eram os modelos que elas fixavam e se havia um padrão entre esses modelos na formação do indivíduo nessa época: final da Idade Média e começo da Idade Moderna”, explica Leandro Teodoro , professor do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

O projeto é um dos quatro selecionados no âmbito da primeira chamada de propostas lançada pela FAPESP em parceria com a Fundação Nacional de Ciência da Suíça (SNSF). Em setembro do ano passado, as duas fundações firmaram um acordo de cooperação científica para o financiamento de pesquisas bilaterais. Foi a primeira vez que a SNSF firmou parceria com uma agência de fomento subnacional, como é o caso da FAPESP.

Outro projeto aprovado no edital será conduzido no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Um grupo do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) vai trabalhar em parceria com cientistas da École Polytechnique Fédérale de Lausanne no desenvolvimento de computadores quânticos. A ideia é agregar o conhecimento das duas equipes: juntar a expertise dos brasileiros na nanofotônica ao conhecimento dos cientistas suíços na produção de material bidimensional.

O material bidimensional é uma alternativa ao silício para a produção de circuitos eletrônicos (chips, celulares e equipamentos eletrônicos). Uma vantagem é que ele é superior ao silício como semicondutor para os chamados computadores quânticos – essenciais para o avanço da inteligência artificial, por exemplo.

“A computação quântica vai revolucionar de tal forma a vida que ainda nem sabemos o que pode acontecer. Um exemplo do impacto está na maneira como desenvolvemos medicamentos e vacinas. Mas esse é só um exemplo entre tantos outros. É importante investir nessa área agora para não ficarmos para trás nessa tecnologia”, disse Euclydes Marega Junior , professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) e pesquisador do CEPOF – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.

Em outro projeto de pesquisa, chamado COWADAPT, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Swiss Federal Institute of Technology Zurich vão caracterizar variantes estruturais no genoma bovino com resolução e acurácia sem precedentes. Para isso, eles vão utilizar uma técnica de sequenciamento chamada long-read sequencing multi-assembly graph.

De acordo com Roberto Carvalheiro , que lidera o projeto pelo lado brasileiro, a ideia é avaliar o papel dessas variantes na adaptação de bovinos a ambientes desafiadores. “A equipe brasileira vai focar na adaptação do Nelore [raça zebuína] em ambientes tropicais, enquanto a equipe suíça vai investigar a adaptação de raças taurinas aos pastos alpinos”, conta.

A quarta proposta aprovada na chamada tem o objetivo de promover as exportações no Brasil. Os coordenadores são Vladimir Pinheiro Ponczek, da Fundação Getúlio Vargas São Paulo, e Nicolas Depetris Chauvin, da Haute École de Gestion de Genève.

Nova oportunidade

Uma segunda rodada para avaliação de propostas foi lançada em 2021 por meio da parceria entre a FAPESP e a SNSF. A oportunidade está aberta a projetos em todas as áreas do conhecimento, nas modalidades Auxílio à Pesquisa Regular ou Projeto Temático, que serão analisados ao longo do próximo ano, conforme as propostas forem chegando.

Os projetos devem ser submetidos simultaneamente pelo pesquisador suíço junto à SNSF e pelo pesquisador do Estado de São Paulo junto à FAPESP.

Diferentemente do que aconteceu na primeira chamada, desta vez a FAPESP atuará como agência líder do acordo. Isso porque há uma alternância entre a agência que lidera o processo seletivo. No primeiro ano, coube à SNSF analisar as propostas, desta vez será a FAPESP.

As propostas poderão tramitar como Projetos Temáticos (sem limite de orçamento e com duração de até 48 meses) ou como Auxílios Regulares (apoiados por um período de até 48 meses, com orçamento máximo de R$ 150 mil por ano). Além disso, as propostas Regulares poderão incluir, de forma excepcional, uma cota de bolsa de pós-doutorado. O orçamento total deve contemplar os custos de bolsas, reservas técnicas e benefícios complementares.

As propostas podem ser submetidas até 30 de setembro de 2022 (a qualquer momento) e serão analisadas conforme a chegada.

As orientações para submissão estão disponíveis em: https://fapesp.br/15096.

  Republicar
 

Republicar

A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter (quando houver) deve ser atribuído. O uso do botão HMTL abaixo permite o atendimento a essas normas, detalhadas na Política de Republicação Digital FAPESP.


Assuntos mais procurados