Betelgeuse está encolhendo | AGÊNCIA FAPESP

O Nobel de Física Charles Townes e colegas calculam que a estrela supergigante vermelha perdeu 15% de seu tamanho nos últimos 15 anos (foto: Hubble)

Betelgeuse está encolhendo

10 de junho de 2009

Agência FAPESP – A supergigante vermelha Betelgeuse, na constelação de Órion, é uma das estrelas mais brilhantes no céu sobre a Terra e tem um diâmetro estimado em mais de 900 vezes o do Sol. É tão imponente que se estivesse no centro do Sistema Solar se estenderia além da órbita de Júpiter.

Pelo menos era assim. Era, porque de acordo com um novo estudo feito na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, Betelgeuse está encolhendo. E muito rapidamente, tendo perdido 15% do tamanho nos últimos 15 anos.

A conclusão veio após um longo monitoramento feito com ajuda de um interferômetro no infravermelho instalado no topo do monte Wilson, na Califórnia, e foi apresentada nesta terça-feira (9/6) em Pasadena, durante reunião da Sociedade Astronômica Americana.

Segundo os astrônomos responsáveis pelo estudo, como o raio da supergigante vermelha é de cinco unidades astronômicas, ou cinco vezes o raio da órbita da Terra, o encolhimento no raio da estrela equivale à distância da órbita de Vênus. Betelgeuse está a aproximadamente 600 anos-luz da Terra.

“Ver essa mudança é algo perturbador. Estaremos vigiando a estrela cuidadosamente nos próximos anos para verificar se ela continuará a contrair ou se aumentará de tamanho novamente”, disse Charles Townes, um dos autores da pesquisa, cujos resultados foram publicados no The Astrophysical Journal Letters.

Professor emérito de física da Universidade da Califórnia em Berkeley, Townes ganhou o prêmio Nobel de Física em 1964, pela contribuição no desenvolvimento do laser e do maser (laser em micro-ondas).

Apesar da diminuição em tamanho, os pesquisadores apontam que a luz visível, ou magnitude, que é monitorada regularmente, não apresentou queda significativa no mesmo período. Apesar de Townes e seu aluno de graduação, Ken Tatebe, terem observado há alguns anos um ponto brilhante e inusitado na superfície de Betelgeuse, a estrela continua sendo vista como uma esfera simétrica.

“Não sabemos por que a estrela está encolhendo. Considerando tudo o que sabemos sobre galáxias e o Universo distante, há ainda muitas coisas sobre as estrelas que simplesmente não conhecemos. Uma delas é o que acontece quando as gigantes vermelhas se aproximam do fim de suas vidas”, disse Edward Wishnow, outro autor do estudo.

Alguns cientistas estimam que Betelgeuse poderá explodir e se tornar uma supernova em alguns milhares de anos. A explosão seria um espetáculo de dimensões tão grandes que a luz resultante seria mais brilhante do que a da Lua no céu noturno sobre a Terra.

Townes, que faz 94 anos em julho, disse pretender continuar monitorando Betelgeuse na esperança de encontrar um padrão para o encolhimento – ou a mudança de tamanho da estrela – e ajudar a melhorar as capacidades do interferômetro pela adição de um espectrômetro. “Onde quer que olhemos com mais precisão, encontraremos algumas surpresas e desvendaremos segredos fundamentais”, disse.

O artigo A systematic change with time in the size of Betelgeuse, de Charles Townes e outros, pode ser lido por assinantes do The Astrophysical Journal Letters em www.iop.org/ej/journal/apjl.
 

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