Pesquisa feita na FEA-USP mostra que, além da instabilidade do câmbio, problemas com transporte e falta de informação também afetam a exportação das micro e pequenas empresas brasileiras
Pesquisa feita na FEA-USP mostra que, além da instabilidade do câmbio, problemas com transporte e falta de informação também afetam a exportação das micro e pequenas empresas brasileiras
Agência FAPESP - Números relativos às micro e pequenas empresas brasileiras mostram, de forma categórica, como esse setor é marcado por contradições.
O país tem aproximadamente 4,5 milhões de companhias nas duas categorias, que somam nada menos do que 7 mil entre as 11,2 mil empresas exportadoras. Mas a quantidade é ofuscada pelo volume, uma vez que elas respondem por apenas 2,4% do total de recursos movimentados com as exportações, que giram entre US$ 120 bilhões e US$ 140 bilhões anuais.
"O Brasil possui mais de 5 milhões de empresas abertas, sendo que cerca de 90% são micro e pequenas. Mas, apesar de terem um papel importante na geração de empregos e renda para o país, elas têm uma participação muito baixa nas exportações", disse o engenheiro e consultor Fernando Ruiz à Agência FAPESP.
Para tentar entender melhor o cenário, Ruiz resolveu elaborar um projeto de pesquisa. O estudo acaba de ser apresentado em forma de dissertação de mestrado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).
O pesquisador aplicou um questionário a 102 empresários de diversas áreas. Em seguida, selecionou nove empresas dos setores têxtil, calçadista e odontológico para fazer uma pesquisa mais aprofundada.
A sempre criticada política cambial apareceu como o maior entrave para a expansão das exportações. "O maior problema mencionado não é nem o valor das moedas, mas a instabilidade nas cotações. As oscilações de mercado fazem com que o exportador tenha dificuldade em traçar estratégias", conta Ruiz.
As respostas dos executivos também indicaram outros obstáculos: a logística de transporte de mercadorias, incluindo deficiências em portos, estradas e aeroportos, e a falta de informação sobre os procedimentos burocráticos envolvidos nas exportações.
"A grande maioria das empresas analisadas não tem um departamento voltado para o comércio exterior. Muitas vezes o próprio dono é quem faz isso", explica Ruiz.
Entre os setores das micro e pequenas empresas que mais exportam estão o têxtil e o calçadista. O mercado mais procurado por elas ainda é o Mercosul, devido aos menores custos de transporte para os países vizinhos.
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